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26 Março 2019

A visão mais aceita entre os etnógrafos é que as antigas sociedades de caçadores-coletores viviam em grupos tão pequenos que quase qualquer comportamento imoral era imediatamente detectado por todos. Isso se deve a que acreditavam em forças sobrenaturais mais relacionadas à natureza do que à moral humana. Em contraste, em grandes sociedades, o comportamento imoral pode facilmente passar despercebido. Paradoxalmente - sempre do ponto de vista etnográfico -, dentro dessas sociedades existem também "grandes deuses" (os de cada religião) que ditam o comportamento moral e punem seus crimes.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 24-03-2019. A tradução é do Cepat.

Em meio a essa dicotomia, a revista Nature acaba de publicar a pesquisa de uma equipe de cientistas das universidades de Oxford, Connecticut e Keio, em Fujisawaen, em que procuravam determinar se a ideia de um deus existe antes ou depois da vida em sociedade.

Graças ao Big Data, a análise concluiu que a crença em grandes deuses - no sentido de "divindades moralizantes que punem transgressões éticas" - é uma consequência, não uma causa, do desenvolvimento de sociedades complexas.

Para chegar a essa afirmação, os autores trabalharam com o banco de dados Seshat: Global History Databank, um arquivo de mais de 300.000 registros com informações sobre "complexidade social e religião". Compararam 414 sociedades provenientes de 30 regiões, que existiam desde a antiguidade até a Revolução Industrial. No total, foram analisados 47.613 registros.

"Por séculos, tem sido debatido por que os humanos, ao contrário de outros animais, cooperam em grandes grupos de indivíduos não geneticamente relacionados", disse em um comunicado Peter Turchin, pesquisador da Universidade de Connecticut e coautor do estudo. As respostas até agora foram: agricultura, religião e guerra. Por sua vez, a etnografia tradicional argumenta que os grandes deuses moralizadores são necessários para permitir o surgimento de grandes sociedades, porque se as regras não fossem respeitadas e não houvesse punição, a sociedade entraria em colapso.

Uma nova hipótese

"Para nossa surpresa, nossos dados contradizem fortemente essa hipótese", continuou Harvey Whitehouse, também em um comunicado, o diretor de pesquisa e pesquisador da Universidade de Oxford.

"Em quase todas as regiões do mundo para as quais temos dados, os deuses moralizantes tendem a seguir, não a preceder, o crescimento da complexidade social", explicou.

Por isso, Whitehouse sugeriu uma hipótese alternativa: "Foram os rituais religiosos que ajudaram a criar uma identidade coletiva e um sentimento de pertença, que funcionaram como uma cola social e ajudaram as pessoas dessas sociedades a cooperar".

Em outras palavras, o relatório afirma que as identidades coletivas são mais importantes para facilitar a cooperação do que as crenças religiosas.

Por outro lado, Patrick Savage, pesquisador da Universidade Keio, em Fujisawa, Japão, e autor do estudo, diz que essas divindades moralistas desempenharam um papel importante, mas diferente. "Uma vez que as sociedades atingiram um tamanho de cerca de um milhão de habitantes, os deuses moralizantes vieram para estabilizar a cooperação entre pessoas com diferentes línguas, etnias e origens culturais."

Rá, primeiro nome de Deus

A primeira das sociedades com um deus moralizador foi a Dinastia II, no Egito. Era , o deus do Sol. Seu modo de julgar era baseado em um código conhecido como maat: que representava "o que é certo", como proteger os fracos e não roubar. Esta divindade andava de mãos dadas com uma situação concreta: o enterro ritual das elites. Rá foi seguido por Shamash, o deus do Sol que tudo vê, na dinastia Acádia, no atual Irã. Punindo o "injusto", aqueles que mentiam ou roubavam.

Os pesquisadores classificaram cada sociedade de acordo com 51 medidas de complexidade social. Desde de quantas pessoas existiam, se o governo tinha uma liderança hierárquica e quais sistemas de informação existiam. Por sua vez, procuraram determinar se cada sociedade acredita em um deus ou deuses moralizantes ou uma força sobrenatural ligada aos valores de lealdade e honestidade, e com qual frequência exibiam rituais religiosos.

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