Padre Dall'Oglio, mistérios em demasia

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27 Novembro 2018

Ninguém o procura mais. Ninguém quer saber o que aconteceu com o padre Paolo Dall'Oglio, jesuíta italiano que tinha previsto a chegada da tempestade sobre o povo sírio e tinha sido o primeiro a entender sua complexidade. Agora dizem que a guerra na Síria acabou e muitos, demais, competem em tecer os louvores da vitória de Bashar al-Assad, paladino da guerra contra o terror, nosso "aliado", na realidade um criminoso para o qual deveria estar pronta uma cela em Haia, ao vez dos contratos fabulosos para a reconstrução, a que os titereiros internacionais do massacre sírio estão prontos a se lançar. Melhor esquecer, não fazer perguntas sobre os desaparecidos. Nem mesmo sobre o padre Paolo Dall'Oglio. Ele desapareceu há cinco anos em Raqqa, que logo se tornaria a capital do Ísis. Ninguém jamais reivindicou o seu sequestro, nem a sua (possível) execução. E isso já é um mistério.

A reportagem é de Alberto Bobbio, publicada por Eco di Bergamo, 24-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Agora uma investigação do jornal católico francês "La Croix", fruto de um trabalho de 10 meses, revela detalhes perturbadores do episódio, acrescentando mistério ao mistério e ao mesmo tempo lançando uma luz sinistra sobre o papel das autoridades italianas. Foi publicada em 15 de novembro.

Revela que as autoridades diplomáticas italianas há quatro anos estavam na posse dos objetos pessoais do padre Paolo, tablet, celulares, anotações, entregues à embaixada italiana em Paris. Mas, revela o jornal, tudo foi formatado. E quem os entregou "um famoso opositor sírio no exílio", após um complexo trajeto por vários mediadores entre Síria e Turquia, disse ao jornal La Croix, que os funcionários da embaixada "não davam a impressão de querer investigar, é como se quisessem fazê-los desaparecer". No entanto, os elementos para investigar estão todos lá. Os jornalistas franceses encontraram testemunhas, fornecem os nomes dos homens do Isis com quem o padre Paolo tinha um encontro naquele dia, explicam que alguns deles vivem na Síria. Outros, La Croix os entrevistou em Paris, Berlim, Roma, Estocolmo, na Turquia e dez outras pequenas cidades europeias. Ninguém foi ouvido pela magistratura italiana.

Segundo o jornal francês, a investigação foi abafada. Mas há um particular que perturba mais do que os outros. De acordo com o La Croix, em janeiro os serviços secretos italianos teriam recebido em Roma Ali Mamlouk, chefe dos serviços secretos sírios, na época já incluído na lista negra europeia entre os personagens responsáveis por crimes contra a humanidade e agora perseguido por um mandado de captura internacional emitido por um tribunal francês pelo mesmo crime, depois de ter apurado que entre os massacrados nas prisões do regime sírio havia parentes de cidadãos franco sírios. Silêncio também por parte das autoridades religiosas.

O padre Paolo era impopular entre muitos cristãos sírios, que sempre preferiram a proteção de Assad à liberdade do Evangelho. O único que concordou em falar com o jornal francês é o chefe dos jesuítas no Oriente Médio na época do sequestro, padre Víctor Assuad, que lamentou a "falta de vontade política" para investigar o desaparecimento do padre Paolo: "Todo mundo tem interesse em evitar que a luz seja feita". Já se passaram dez dias da publicação da investigação, mas não houve nenhuma declaração oficial do governo, nenhuma desmentida, nenhuma investigação parlamentar. As relações com o criminoso Bashar al-Assad, o seu regime de terror e as mentiras de sua mortal máquina de propaganda internacional, são mais importantes que a verdade sobre o destino de um grande jesuíta que amava a paz para todos na Síria.

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