Postulador dos mártires argelinosː ‘No ícone da beatificação haverá também um muçulmano’

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19 Setembro 2018

Padre Thomas Georgeon fala à InBlu Rádio: "Ele era o motorista e querido amigo do bispo Claverie, foi morto com ele no atentado". No próximo 8 de dezembro de Oran, no santuário de Notre-Dame da Santa Cruz, na celebração em que serão beatificados dezenove mártires cristãos mortos na Argélia entre 1994 e 1996 "haverá um ícone oficial onde serão representados os 19 mártires e, com eles, também um jovem muçulmano chamado Mohamed".

A reportagem é publicada por InBlu Rádio, 18-09-2018 . A tradução é de Luisa Rabolini

Quem revelou isso foi o padre Thomas Georgeon, monge trapista e postulador da causa de beatificação de Pierre-Lucien Claverie e dos outros 18 religiosos e religiosas, em entrevista à InBlu Rádio, a rede das emissoras católicas de rádio da Conferência Episcopal Italiana. A escolha do local de celebração recorda diretamente a figura de monsenhor Pierre Claverie, bispo de Oran, morto em 1 de agosto de 1996, juntamente com o seu jovem motorista argelino, por uma bomba. No ícone dos novos beatos haverá um lugar também para Mohammed Bouchikhi, que obviamente não será beatificado, mas se quis honrá-lo porque foi morto juntamente com o bispo de Oran em decorrência da explosão de uma bomba na porta da Cúria. O decreto autorizado pelo Papa, que deu a luz verde para a sua beatificação por martírio, remonta a janeiro passado.

"Reunimo-nos com o Papa Francisco e os Bispos argelinos - disse o padre Thomas Georgeon - em setembro de 2017. O Papa estava bem informado sobre a causa. Percebemos sua vontade de ver essa causa se concretizar. O Papa, no entanto, reiterou muitas vezes a necessidade de fazer catequese para ajudar as pessoas a entender o que é celebrado na beatificação. Não se trata de reabrir as feridas do passado. É preciso celebrar essa beatificação olhando para o futuro. E o papa também nos fez entender que não se devia ferir ninguém".

"O bispo de Oran - disse o postulador - foi o último a ser morto em 1996. Ele foi morto junto com seu amigo muçulmano, o jovem Mohamed. E o Papa me perguntou se esse jovem era realmente muçulmano ou se estava no caminho para a fé cristã. Percebia-se na voz do Papa (caso estivesse se aproximando da fé cristã) que o teria incluído de bom grado na causa de beatificação. Durante a celebração da beatificação, Mohamed estará de alguma forma presente. Também seus familiares estarão presentes".

"Nesse episódio - concluiu o postulador – mistura-se o sangue de cristãos e muçulmanos. Não se trata para a Igreja argelina de celebrar só os mártires cristãos porque esses beatos foram mortos entre 1994 e 1996, mas entre 1990 e 2000 quase 200.000 argelinos foram mortos, incluindo crianças, mães e imãs. Em certo sentido, é também uma celebração para eles".

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