O Papa envia Burke a 12 mil quilômetros de Roma para investigar um caso de abusos sexuais

Mais Lidos

  • Após uma catástrofe, existem três caminhos, explica um dos criadores do termo resiliência: continuar como antes, votar em um ditador que promete segurança ou evoluir e renascer

    “Não se pode debater com fanáticos como Trump. Se você não pensa como ele, você é um idiota”. Entrevista com Boris Cyrulnik, neuropsiquiatra

    LER MAIS
  • Sobre a possibilidade de um golpe de Estado. Artigo de Jean Marc von der Weid

    LER MAIS
  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

17 Fevereiro 2017

Exílio para o cardeal Raymond Burke? O líder da oposição ao Papa Francisco chegou nesta quarta-feira à Ilha de Guam – a mais de 12 mil quilômetros de distância de Roma – para presidir o julgamento canônico de Anthony S. Apuron, o ex-arcebispo de Agana acusado de ter abusado de coroinhas na década de 1970.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 16-02-2017. A tradução é de André Langer.

Apuron, de 71 anos, deve responder às denúncias apresentadas por três homens que o acusam de tê-los abusado sexualmente na sua infância. A mãe de uma quarta vítima, que já está morta, também acusa o arcebispo de ter abusado do seu filho. Embora o prelado continue a insistir em sua inocência, e até o momento não foi acusado penalmente, foi suspenso do seu cargo em junho do ano passado.

A Sala de Imprensa da Santa Sé, até o momento, limitou-se a confirmar que um tribunal eclesiástico de primeira instância, constituído em outubro passado, será presidido pelo cardeal estadunidense. Não deu nenhuma indicação sobre quanto tempo o cardeal permanecerá em Guam, nem qual destino possa esperar após o seu retorno. Mais quatro bispos se juntarão a Burke nesse tribunal, confirmou a Sala de Imprensa.

De acordo com o Guam Daily Post, o cardeal Burke assinou um decreto no dia 03 de fevereiro passado no qual pedia o comparecimento, no dia 16 de fevereiro, na chancelaria diocesana de Agana, de um dos acusadores de Apuron, Roland Sondia, “com o propósito de dar seu testemunho” sobre os fatos. O equivalente, no Direito Canônico, a um promotor e a um advogado defensor também estarão presentes ao ato, de acordo com o cardeal. Um segundo documento, assinado no dia 06, estipula que, de acordo com as normas canônicas, o processo contra Apuron será “confidencial” e acontecerá “sob segredo pontifício”.

Neste primeiro decreto, o cardeal também faz menção de que chega à remota ilha do Pacífico Ocidental por indicação do cardeal Gerhard Müller, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, como tal, encarregado de coordenar a resposta da Igreja às alegações de abusos contra seus clérigos.

Burke, no entanto – e embora tenha sido prefeito da Assinatura Apostólica, o Supremo Tribunal da Igreja –, não tem experiência especial no julgamento de sacerdotes abusadores, motivo pelo qual a sua nomeação para presidir o julgamento de Apuron é, no mínimo, fora do comum.

Correm rumores de que a nova missão do cardeal Burke é uma estratégia para afastá-lo de Roma e das críticas ao Papa Francisco. Uma tese que ganha força ao recordar que Burke foi destituído recentemente de todas as suas responsabilidades na cúria romana em consequência de sua descarada rebelião contra o Pontífice nas controvérsias das dubia e da Ordem de Malta.

Inclusive desta última congregação, com a chegada ali do delegado pontifício, Angelo Becciu. Outros, ao contrário, indicam que se trata de uma nova oportunidade para o cardeal praticar a penitência e a conversão à qual Francisco não cessa de chamar a Igreja.

Leia mais