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03 Outubro 2016

Escudado na popularidade alcançada pelo plano de paz acordado com a guerrilha nas zonas interioranas mais atingidas pelos combates, o governo do presidente Juan Manuel Santos esqueceu-se da retaguarda.

O comentário é de Luiz Antônio Araujo, jornalista, publicado por Zero Hora, 03-10-2016.

Foi nas regiões menos afetadas pela guerra interna, especialmente as grandes cidades, que o não obteve maior vantagem no plebiscito realizado ontem na Colômbia. Onde a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não está presente e a violência não se tornou um entrave social, a tendência dos eleitores foi encarar o plebiscito como um julgamento do governo de Santos. Nesse sentido, o maior derrotado na votação de ontem é o presidente colombiano. Também é um revés para a primeira grande iniciativa diplomática conjunta cubano-americana após o reatamento.

Também foi relevante o fato de que, independentemente do resultado da votação, o caminho das Farc em direção à institucionalização como partido político parece irreversível. Partidários do “não”, como o ex-presidente Alvaro Uribe, afirmam que o acordo de Havana é ruim e que, como está praticamente descartado um retorno às hostilidades, pode-se obter mais concessões da guerrilha.

O que predominou, no entanto, foi a indiferença diante de uma negociação vista em larga medida como um arranjo de cúpula. Com tempo hostil e em meio aos efeitos de um furacão, mais de seis em cada 10 colombianos não se sentiram estimulados a comparecer a uma votação que em pouco ou nada influenciaria suas vidas.

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