Vaticano intensifica a defesa do documento sobre a família do Papa

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21 Julho 2016

O Vaticano está contra-atacando os críticos conservadores do documento histórico do Papa Francisco sobre a família, intensificando a sua defesa do papa agora com um novo vigor, no momento em que os bispos começam a implementar o documento ao redor do mundo.

A reportagem é publicada por AP, 20-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nesta quarta-feira, 20-07-2016, o jornal vaticano L’Osservatore Romano trouxe um extenso ensaio escrito por um historiador italiano católico que insiste que “A Alegria do Amor”, exortação apostólica de Francisco, está absolutamente em sintonia com os seus antecessores e com a doutrina da Igreja sobre a questão espinhosa de os católicos divorciados e recasados no civil poderem receber a Comunhão.

No começo deste mês, a revista La Civiltà Cattolica, cujas edições são previamente aprovadas pelo Vaticano, trouxe uma entrevista com o Cardeal Christoph Schönborn em que o arcebispo vienense incisivamente rejeita as afirmações conservadoras segundo asa quais a exortação não contava como um documento magisterial oficial.

Os dois textos citados aumentaram o preço das apostas na crescente batalha teológica e ideológica atual atiçada por “A Alegria do Amor”. Eles foram publicados na véspera da viagem do papa à Polônia, onde o pontífice jesuíta irá entregar simbolicamente o documento à Igreja polonesa, profundamente conservadora, num evento com os jovens na próxima semana. 

Quando foi lançada em abril deste ano, “A Alegria do Evangélico” desencadeou uma polêmica por ter aberto uma porta para que fiéis casados pela segunda vez no civil possam receber novamente a Sagrada Comunhão. O magistério católico sustenta que, se estes católicos divorciados e recasados não obtiverem uma anulação – decreto eclesiástico segundo o qual o primeiro casamento fora inválido –, eles não podem receber o sacramento, uma vez que são vistos como cometendo adultério.

Francisco não criou uma passagem livre a estes fiéis, mas sugeriu – em termos vagos e estrategicamente colocados em notas de rodapé – que os bispos e padres podem permitir-lhes receberem a Comunhão num acompanhamento caso a caso, postando-se junto aos fiéis em uma caminhada de discernimento.

A crítica conservadora não tardou.

O cardeal americano Raymond Burke, representante da ala conservadora e que foi retirado por Francisco do posto que ocupava frente ao supremo tribunal vaticano, insistiu que o documento não fazia parte do magistério da Igreja. Em vez disso, tratava-se de uma reflexão pessoal a partir dos encontros dos bispos sobre assuntos de família.

“A natureza pessoal, quer dizer, não magisterial, do documento fica também evidente no fato de que as referências citadas são, principalmente, o relatório final da sessão de 2015 do Sínodo dos Bispos e discursos e homilias do próprio Papa Francisco”, escreveu Burke em artigo publicado no sítio National Catholic Register.

Schönborn negou a afirmação de Burke na entrevista à Civiltà Cattolica.

Este documento, disse ele, “é um ato do magistério que torna o ensino da Igreja presente e relevante hoje”.

O cardeal italiano Carlo Caffarra, também destacado conservador, criticou o documento dizendo que ele é vago e confuso, negando que tenha aberto uma porta à Comunhão para os fiéis recasados, posto que, se assim o fizesse, ele iria contradizer o ensino católico anterior a respeito da indissolubilidade do matrimônio.

O cardeal alemão Gerhard Müller, principal figura do Papa Francisco para assuntos doutrinários, concordou com Caffarra declarando que o papa teria sido mais claro se caso tivesse pretendido uma abertura. Em maio na Espanha, Müller argumentou que as decisões sobre se alguém pode receber os sacramentos não podem ser feitas puramente no plano individual, no plano do discernimento particular.

“Uma privatização da economia sacramental certamente não seria católico”, disse ele.

Na edição de quarta-feira do jornal L’Osservatore Romano, o historiador e político italiano Rocco Buttiglione declarou que a Igreja sempre ensinou que pode haver casos onde os fiéis creem não estar em um estado de pecado mortal, ou em que creem não ser os responsáveis plenos por esta situação, o que pode mitigar a culpabilidade.

“O caminho que o papa propõe aos divorciados e recasados é exatamente o mesmo que a Igreja propõe a todos os pecadores: vão ao confessionário, e o confessor, após avaliar todas as circunstâncias, vai decidir absolvê-lo e admiti-lo à Eucaristia ou não”, escreveu.

O argumento de Buttiglione, destacado em primeira página, marcou uma mudança na defesa do documento papal por parte do Vaticano, ao confrontar as críticas abertamente em vez de apenas elogiar o texto pontifício.

Esta iniciativa pode sinalizar uma campanha mais concertada pelo Vaticano para assegurar que “A Alegria do Amor” seja interpretada como desejou Francisco. No ínterim, Dom Charles Chaput, arcebispo conservador da Filadélfia, declarou que, em sua arquidiocese, os católicos divorciados e recasados no civil somente poderão receber a Comunhão caso se abstiverem do sexo e viverem como “irmão e irmã”.

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