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20 Fevereiro 2016

"As ondas de Einstein vêm em boa hora: são de propagação livre, emitidas por corpos irregulares que se deslocam em aceleração. Regra de três: se ao acenarmos com uma mão, emitimos uma pequena onda, o que se pode esperar de milhares, milhões de mãos alçadas? Ondulação do espaço-tempo, na velocidade da luz, interagindo com quaisquer massas: quando a luz de épocas mais distantes já não chega, as ondas gravitacionais seguirão chegando, trazendo os velhos cantos", escreve Eduardo Mello, diplomata e autor do livro Brisas de Bissau, em artigo publicado por Sul21, 15-02-2016. 

Eis o artigo.

Divergimos dos colegas da ciência pura positivista, ou da social physics, que acreditam em dados e fenômenos sociais invariáveis (uma contradição em termos, para nós). Nossa corrente tem origem em Einstein, isto é, no Universo em pessoa.

Cremos em Carr: “a defesa do status quo não pode durar indefinidamente: termina em guerra, assim como um conservadorismo rígido termina em revolução.” Com adaptações: em ambos os casos, acaba em tragédia e caos.

As ondas de Einstein vêm em boa hora: são de propagação livre, emitidas por corpos irregulares que se deslocam em aceleração. Regra de três: se ao acenarmos com uma mão, emitimos uma pequena onda, o que se pode esperar de milhares, milhões de mãos alçadas? Ondulação do espaço-tempo, na velocidade da luz, interagindo com quaisquer massas: quando a luz de épocas mais distantes já não chega, as ondas gravitacionais seguirão chegando, trazendo os velhos cantos.

Buena onda, de Einstein e Francisco, desde o nascimento do Universo, há 13 bilhões de anos, a completar a tríade da indagação cósmica: de onde partimos? para onde íamos? onde nos desviamos do caminho?

Em breve poderemos viajar no tempo, a reparar todas as mortes e estupros, todas as injustiças conservadas nos livros de História, que nunca mais será o pesadelo do qual tentamos acordar.

Einstein não mais será citado em vão, e muitos menos com fins regressistas!

Logo ele, que às vezes, no início de alguma palestra, fechava o livro e puxava o violino, para desfiar sonatas de Mozart, seu preferido, igualmente revolucionário. Logo ele, que ia de bicicleta para a universidade, ele, que acolheu em sua casa uma cantora de jazz negra que fazia turnê, quando nenhum hotel de Princeton quis hospedá-la!

Seria hoje trucidado nas redes sociais, logo ele, Einstein! Pra não falar de Carlitos!

[Aliás, consta que se encontraram em Hollywood. “O que admiro em sua arte é a universalidade, tu não diz uma palavra, mas o mundo inteiro te entende”, disse Einstein. “É verdade, mas tua glória é ainda maior, tchê, o mundo inteiro te admira, sem que ninguém te entenda”, respondeu Chaplin.]

À violência dijornal, ops, digital, responderia ele que as assimetrias do mundo escondem belezas essenciais da natureza, belezas de unidade interior e arquitetura helênica.

Nossa Física Social Pós-Einsteiniana vai além: um dia revelar-se-á a beleza essencial da vida sem injustiças, sem segregações.

Das buenas ondas gravitacionais, a superarem quaisquer barreiras de tempo e espaço, a mostrarem a inutilidade dos muros, sejam eles em Berlim, nos Estados Unidos, na Turquia, na Tunísia, na Austrália, em Israel, na Hungria – e nas tantas cidades e condomínios brasileiros.

Antes de tudo isso, porém, antes de qualquer coisa, precisamos lançar um jornal. Foi a primeira coisa que fez Mao, ainda na faculdade. Discordamos de seus métodos, mas tinha ele razão em sua frase clássica.

O poder político nasce da ponta de uma manchete.

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