Estados Unidos possuíam celas vip em Guantánamo

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Por: Caroline | 29 Novembro 2013

A CIA fez mais do que apenas encarcerar e interrogar centenas de suspeitos de terrorismo enviados para a prisão militar de Guantánamo (foto) num canto remoto de Cuba, após os ataques de 11 de setembro. Em alguns poucos casos, também os tornou agentes duplos. O programa, dirigido por um lugar secreto dentro de Guantánamo, e não revelado até agora, funcionou entre 2002 e 2006 e despertou a atenção de George Bush, então na Casa Branca. Uma quantidade de suspeitos de terrorismo foi convertida, com êxito, e enviada para seus países, com a esperança de que se reconectassem com a rede Al Qaeda e trouxessem informações para a CIA, para ajudar a localizar e matar os alvos de alto escalão, de acordo com uma investigação realizada pela agência de notícia americana Associated Press (AP).

A reportagem é de David Usborne, publicada por Página/12, 27-11-2013. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/oKNqaJ

Eram considerados, para o programa secreto, apenas aqueles que pudessem ter contatos verdadeiros com a alta hierarquia dos grupos terroristas. Uma vez identificados, eram tentados com uma grande quantidade de estímulos, especialmente as grandes quantidades de dinheiro em espécie, além de promessas da CIA de que a sua própria segurança e de suas famílias estariam asseguradas a partir daquele momento, com a emissão de novas identidades. O dinheiro, que com o tempo chegou às cifras de milhões de dólares, provinha de um fundo secreto da CIA, chamado Pledge (Promessa).

Corriqueiramente, enquanto estes recrutas “especiais” permaneciam em Guantánamo, eram oferecidos privilégios “especiais”, como sua transferência das celas para pequenos bungalows (bangalôs) localizados a centenas de metros de distância, separados por arbustos. Os bungalows, que tinham o nome de Penny Lane, contavam com pátios, cozinhas e chuveiros privados. Talvez o mais tentador fossem as camas adequadas, com colchões. O nome Penny Lane provém da música dos Beatles. Mais de 10 anos depois, alguns dos detentos continuam encarcerados, com poucas perspectivas de liberdade. Alguns também começaram a chamar os bungalows escondidos de “Marriott”, por seu relativo conforto. Supostamente, os residentes de Penny Lane tinham acesso à pornografia quando queriam. Ontem, não houve comentários da CIA.

A Associated Press conseguiu detalhes do programa após entrevistar diversos oficiais e ex-oficiais estadunidenses familiarizados com ele, que aceitaram falar com a condição de que mantivessem seu anonimato. Outros, já familiarizados com Guantánamo, não expressaram surpresa. “Obviamente que este seria um dos objetivos”, afirmou Emile Nakhleh, um ex-analista da CIA que ajudou a avaliar os detentos, sem chegar a discutir o programa. “É tarefa da inteligência recrutar fontes” disse David Remes, advogado de uma grupo de detentos do Iêmen. Ele também observou o que a CIA almejava: “Acreditava-se que os homens que eram enviados novamente como agentes, poderiam trazer algo de valor”.

Bush estava intrigado o suficiente para falar na Casa Branca diretamente com um dos funcionários da CIA envolvidos no Afeganistão, onde os suspeitos transformados em agentes foram enviados quando liberados de Penny Lane. Diz-se que o presidente Barack Obama, ao contrário, expressou sua preocupação por todos aqueles que estavam ajudando a CIA em 2009 , quando ele assumiu o cargo, e ordenou uma investigação sobre todas as operações.

Se o programa permaneceu como um segredo muito bem guardado, era seguramente pelos óbvios riscos envolvidos, especialmente o de que os homens, uma vez libertados, participassem imediatamente de novos ataques contra os Estados Unidos e revelassem sua ligação com Penny Lane, para envergonhar Washington. Também havia a preocupação de que se alguns deles se identificasse como um alvo para ataque com aviões não tripulados, poderia morrer, mesmo se fossem pagos pela CIA. Enquanto certas fontes disseram que o programa resultou em algumas mortes realizadas com sucesso pela CIA, aos alvos de alto escalão, também admitiram que em outros casos os homens simplesmente desapareceram ao serem liberados e nunca mais se soube deles.

Todavia, disseram que não há evidências de nenhum que tenha voltado e matado algum estadunidense. O tratamento dos internos por parte dos Estados Unidos tem sido repetidamente condenado pelos grupos de direitos humanos. O sistema penal segue como um espinho político para o presidente Obama, que não pôde cumprir sua promessa, feita quando se elegeu, de fechá-lo rapidamente. Seu principal obstáculo foi a resistência do Capitólio, o centro legislativo dos Estados Unidos, a qualquer tentativa de que suspeitos de terrorismo fossem levados para as terras estadunidenses para serem julgados por um sistema de julgamento regular. No ano que vem, a atenção pública se voltará mais uma vez para Guantánamo, em especial pelo esperado início do julgamento de Khalid Sheik Mohammed, o suposto cérebro dos ataques de 11 de setembro.

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