Veterinária questiona eventual exportação de jegue para a China

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07 Janeiro 2013

O Brasil pode ampliar sua pauta de exportações com o adendo de um "item" no mínimo curioso: a venda de jumentos para a China. A informação preocupa a ONG Defesa da Natureza, pois teme que, afora o aproveitamento da carne, o animal seja usado vivo em testes da indústria de cosméticos.

A agrônoma, veterinária e presidente da ONG Defesa da Natureza, Kátia Lopes, de Mossoró, Rio Grande do Norte, teve acesso à cópia do protocolo de contrato assinado em 2004 entre o Brasil e uma empresa chinesa, que prevê a remessa de 300 mil jegues por ano. Isso, no entanto, ainda não se concretizou.

"O problema desse documento é que, além da exportação da carne e dos produtos oriundos dela, vem exatamente a frase 'animais vivos para livre secção na utilização de cosméticos'", manifestou a veterinária em entrevista ao Instituto Humanitas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

A informação é publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC, 04-01-2013.

Sem interferir nesse processo, "com certeza teremos um dos maiores símbolos do Nordeste ameaçado de extinção", denunciou Kátia. Ela admitiu, contudo, que o jegue foi substituído, como animal de transporte, pela moto.

A veterinária lamenta o quadro. "Temos uma estima muito grande aqui no Nordeste pelo jumento. Devemos muito a esse animal. Na formação da nossa civilização, muita gente defende que foi no lombo de um jumento que a nação nordestina nasceu", frisou.

A presidente da ONG Defesa da Natureza indagou como se dará a captura dos animais, no caso desse negócio se concretizar, em que condições os os jegues farão a viagem até a China, como será o manejo dentro dos contêineres, por quanto tempo.

Seria inconcebível o jegue chegar na China e servir de cobaia para os experimentos da indústria de cosméticos, como arrancar a pálpebra para ficar pingando colírio no olho ou provocar feridas no corpo para ter contato direto de determinada substância com a pele, exemplificou.

Kátia destacou, ainda, o simbolismo religioso. Lembrou que na fuga para o Egito, Maria foi levada com o menino num jumento, e que Jesus, no domingo de Ramos, entrou de modo triunfal em Jerusalém montado num jegue.

Para ler mais: ''A nação nordestina foi moldada no lombo de um jumento''. Entrevista especial com Kátia Lopes

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