14 Outubro 2026
O filósofo: "Nosso país está mudando, estamos nos assemelhando aos piores regimes: é a essa categoria que pertence este governo."
Os democratas precisam vencer as eleições de meio de mandato e, em seguida, iniciar o processo de impeachment contra o chefe do Pentágono, Hegseth. O filósofo de Princeton, Michael Walker, vai além de reflexões baseadas em princípios para apontar o caminho para deter essa deriva americana.
A entrevista é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 10-10-2026.
Eis a entrevista.
O que você acha da transmissão ao vivo?
Não realizamos execuções públicas neste país. Não sei até que ponto é preciso retroceder para encontrar registros disso. Eu mesmo estudei história britânica do século XVII, e naquela época as pessoas eram executadas em público, com uma multidão assistindo.
Não me lembro quando essa prática medieval terminou, mas certamente não deveria continuar hoje. Estou surpreso que nenhum juiz tenha intervido ainda para impedir a execução ao vivo.
Por que eles fazem isso? Será que pensam que podem obter vantagens políticas com isso?
Hegseth parece acreditar em um tipo de masculinidade militar que exige esse tipo de demonstração. Ele quer oficiais magros e musculosos, soldados em batalha que ignorem as regras da guerra. Ele é um modelo a ser seguido, criando o ethos guerreiro.
Ele aproveita todas as oportunidades para expressar essa crença: somos fortes, nossos inimigos são maus. Portanto, é bom ver nossos inimigos destruídos. Essa é a visão dele, e presumo que o presidente a aprove.
Os juízes deveriam impedi-los?
Acho que sim. Não sei se a execução pública é ilegal, mas deveria ser.
Por que isso viola os direitos humanos?
Não sei se as pessoas têm direito à privacidade quando são executadas, mas acho que deveriam ter. A morte não deveria ser um espetáculo público.
Nos últimos tempos, os últimos a registrar e transmitir execuções foram terroristas do Estado Islâmico. Entre os poucos países que executam seus condenados em público estão o Irã e o Afeganistão controlado pelo Talibã. Os EUA não correm o risco de se igualarem a eles?
Sim. Mas talvez seja a essa categoria de regimes que o governo Trump também pertença.
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Seria uma mudança histórica para os Estados Unidos, que sempre se apresentaram como defensores dos direitos humanos e até mesmo basearam suas intervenções militares na necessidade de defender seus valores fundadores.
Sim, é verdade. Uma transformação terrível está em curso nos próprios alicerces do país.
Talvez a base de apoiadores do MAGA concorde, mas como reagirá o resto do povo americano?
Deveria haver muitos protestos nas ruas, mas não os vejo. Talvez porque estejamos em plena campanha eleitoral e as pessoas pensem que há coisas mais importantes com que se preocupar. Estamos todos envolvidos nas eleições de meio de mandato.
As pesquisas são promissoras; os democratas podem reconquistar a Câmara e o Senado. Isso colocaria o Congresso de volta nas mãos de pessoas que se oporiam a tudo isso, talvez até mesmo iniciando o processo de impeachment de Hegseth.
Isso lhe parece possível?
Com uma maioria democrata no Congresso, seria possível. Já se discutiu o assunto. Existe até uma resolução na Câmara para iniciar o processo de impeachment, e o veredicto deveria ser público, para que os americanos entendam o que ele fez.
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