08 Outubro 2026
Candidato do PL à Presidência da República, o senador e ex-deputado estadual no Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro falou pouco sobre meio ambiente e clima durante sua carreira política. Porém, todas as (raras) vezes em que abriu a boca para tratar do tema, Flávio distorceu a ciência, selecionou dados, exagerou ou simplesmente mentiu, mostra um levantamento do Fakebook.eco. “Prova, assim, que é um legítimo herdeiro de Jair Messias Bolsonaro, cujo discurso ambiental recheado de ‘fatos alternativos’ o tornou freguês deste Fakebook.eco durante seu governo”, destacou o veículo de combate à desinformação climática e ambiental.
A informação é publicada por ClimaInfo, 07-10-2026.
Flávio Bolsonaro nega o aquecimento global, assim como seu pai — como fez em entrevista ao Jornal Nacional antes do primeiro turno. Também como seu pai, já usou vastamente as estatísticas “criativas” sobre uso da terra propaladas pelo agrônomo Evaristo de Miranda — ex-chefe da EMBRAPA Territorial e árduo defensor do agronegócio brasileiro — para insinuar que o Brasil protege demais suas florestas (quando, na verdade, somos o país que mais desmata).
Juntamente com o senador Márcio Bittar (PL-AC), seu parceiro no projeto de lei que tentou acabar com a reserva legal no país, Flávio Bolsonaro já escreveu um artigo afirmando que a Terra está resfriando. E que os Estados Unidos são ricos porque desmataram mais e usam mais terras agrícolas do que o Brasil.
Essas e outras barbaridades foram levantadas pela equipe do Fakebook.eco com base nas falas de Flávio na tribuna do Senado, em entrevistas e em escritos sobre meio ambiente, para que o eleitor tenha pelo menos a chance de saber o que o candidato pensa sobre o tema. Seriam afirmações quase engraçadas, não viessem de um homem que tem chance real de ser eleito Presidente da República no dia 25 de outubro — o que, na verdade, as torna muito, muito trágicas.
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A Veja destaca que Flávio promete uma nova política ambiental, mas mantém o modelo de Jair Bolsonaro. O que, de cara, já desmente a existência de uma “política ambiental” nos planos do presidenciável do PL, haja vista o desastre climático e ambiental provocado por seu pai enquanto presidente, que quase exterminou o Povo Indígena Yanomami, vale lembrar.
Assim, enquanto promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, Flávio defende um licenciamento ambiental mais rápido — na verdade, quer acabar com o licenciamento —, expansão da mineração, maior exploração de petróleo e gás e a abertura ao fraturamento hidráulico (fracking), técnica de exploração de combustíveis fósseis com altíssimo impacto socioambiental.
“Flávio Bolsonaro demonstrou que, assim como seu pai, está disposto a desmantelar as proteções climáticas e ambientais e a permitir que garimpeiros, madeireiros e grileiros ilegais invadam Territórios Indígenas. Apoiou um Projeto de Lei em 2019 que eliminava a exigência de que os proprietários de terras na Amazônia conservassem uma parcela da vegetação nativa. Em seu programa de governo, ignorou completamente a crise climática. E buscou o apoio de alguns dos latifundiários mais exploradores da floresta tropical. Ele também faz parte de um movimento voltado à maximização dos lucros das indústrias extrativistas, independentemente dos custos ambientais”, reforça Jonathan Watts no Guardian.
Em tempo
Além de todo o seu negacionismo climático e ambiental, Flávio Bolsonaro é relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 03/2022, a infame PEC da Privatização das Praias. A PEC pode transferir uma área que é de todos — o litoral brasileiro — para hotéis, resorts e condomínios de luxo, restringindo o acesso da população brasileira. Um novo episódio do Revelando, projeto especial do Calma Urgente, com apoio de distribuição do ICL, Mídia Ninja, 342 Artes e Intercept Brasil, dá mais detalhes da proposta e mostra os interesses de Flávio Bolsonaro em privatizar o litoral do país.
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