Por que Lula ainda pode vencer. Artigo de Frei Betto

Foto: Wikimedia Commons | Lula Oficial

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06 Outubro 2026

Há diferença entre estar na frente e ter a eleição ganha. Lula sabe disso. Seus adversários também.

O artigo é de Frei Betto, enviado ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, 06-10-2026.

Frei Betto é escritor, autor do romance "O Voo da Locomotiva" (Rocco), entre outros livros.

Eis o artigo.

Há diferença entre estar na frente e ter a eleição ganha. Lula sabe disso. Seus adversários também. E as pesquisas, na reta final da eleição, confirmam que a disputa continua aberta.

O dado mais eloquente é o equilíbrio no confronto direto com Flávio Bolsonaro. O Datafolha de 2 de outubro indicou Lula com 48% contra 45% de Flávio em eventual segundo turno. A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada dias antes, registrou praticamente um empate: 47,6% para Lula e 47,7% para Flávio. Já o CNT/MDA apontou 47,3% para Lula contra 43,1% para o adversário.

Portanto, dizer que Lula não tem chances seria tão equivocado quanto afirmar que sua vitória está assegurada. O que existe é uma eleição extraordinariamente competitiva, na qual alguns fatores ainda podem favorecer o presidente.

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O primeiro é o tamanho de sua base eleitoral. Lula conserva uma identificação política que nenhum outro candidato da esquerda conseguiu construir em escala semelhante. Possui eleitorado sólido entre os mais pobres, no Nordeste, entre os trabalhadores de menor renda e entre parcelas importantes do eleitorado católico. O Datafolha mostra que a aprovação do trabalho presidencial é significativamente maior entre eleitores de baixa renda, nordestinos e católicos.

Isso significa que Lula começa a corrida para o segundo turno com um patrimônio eleitoral dificilmente removível. Seu problema não é convencer todos os brasileiros. É preservar sua base e conquistar uma parcela do eleitorado que não gosta do PT, mas pode preferi-lo ao adversário.

O segundo fator é a rejeição a Flávio Bolsonaro. A eleição não será apenas um plebiscito sobre Lula. Será também uma escolha sobre seu adversário. E, em um segundo turno, o eleitor que não deseja votar no presidente terá de decidir se transfere esse voto para Flávio.

Essa é uma questão decisiva. O bolsonarismo continua a mobilizar um eleitorado fiel, mas também carrega a herança política de Jair Bolsonaro e uma forte rejeição fora de seu campo. Flávio pode herdar o patrimônio eleitoral do pai, o que não exclui suas limitações.

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