Um país que esquece de olhar para suas próprias feridas. Artigo de Vitória Abranoski

Foto: Arquivo Nacional

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07 Outubro 2026

"Alguns séculos depois, conhecemos novamente a crueldade em sua forma mais dura: a ditadura militar, que ocorreu entre 1964 e 1985. Durante esse período, pessoas que se posicionavam contra o modelo de governo eram perseguidas e sofriam diferentes formas de violência", escreve, Vitória Abranoski, estudante de Jornalismo da Uninter.

Eis o artigo.

Se formos dar uma boa investigada em nossa linha do tempo desde a época da colonização, podemos perceber que, infelizmente, nosso país sempre teve alguém exercendo poder e controle sobre a população. Nos séculos XVI ao XIX, nosso povo passou por um período em que nossa terra foi invadida, nossos recursos naturais foram explorados e grande parte da população sofreu as consequências desse processo. Nesse mesmo contexto, os povos originários perderam territórios, tiveram suas culturas ameaçadas e enfrentaram inúmeras formas de violência. Além disso, viveu-se uma época em que a cor da pele determinava privilégios, oportunidades e até mesmo a condição de liberdade de uma pessoa.

Mesmo após esse período cruel, veio o pós-abolição da escravidão, quando grande parte da população continuou sofrendo com o preconceito e a discriminação. A dor permanecia presente, muitas vezes expressa na forma como as pessoas eram tratadas por outras apenas por sua origem, aparência ou condição social.

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Alguns séculos depois, conhecemos novamente a crueldade em sua forma mais dura: a ditadura militar, que ocorreu entre 1964 e 1985. Durante esse período, pessoas que se posicionavam contra o modelo de governo eram perseguidas e sofriam diferentes formas de violência. Para os agentes da repressão da época, pouco importava idade, sexo, nome ou história de vida; o que importava era o posicionamento político de cada indivíduo.

Apesar de todos esses momentos marcados pela violência, ainda é possível encontrar pessoas defendendo ideias racistas, preconceito contra a população LGBTQIA+ e até posicionamentos políticos que, na visão de muitos, vão contra princípios básicos de humanidade e respeito aos direitos humanos.

Ao observar esse cenário, parece uma loucura, mas é uma realidade que continua presente. No período pós-primeiro turno das eleições, vimos candidatos que se posicionam contra pautas como o feminismo, igualdade de gênero e liberdade de orientação sexual. Também observamos debates relacionados ao conflito entre Israel e Palestina, em que diferentes políticos manifestam apoio a lados distintos da questão, incluindo aqueles que apoiam Israel e aqueles que defendem a causa palestina.

Diante disso, muitas vezes me pergunto por que, em vez de estarmos avançando intelectualmente e lutando cada vez mais pela ampliação dos direitos e da igualdade, parece que estamos caminhando para um conservadorismo cada vez mais extremo. Essa sensação provoca tristeza em diversas áreas da vida, mas principalmente quando pensamos em nossa identidade latino-americana, em nossa cultura e em nossa comunidade.

Penso, sobretudo, no impacto de governos e movimentos políticos contrários a direitos trabalhistas e à ampliação da voz das minorias. Muitas vezes, isso se fortalece em contextos em que parte da população não possui acesso amplo à educação ou não busca compreender a realidade ao seu redor. Nesse cenário, torna-se difícil construir mudanças significativas.

Também observo situações em países que ainda lutam por direitos básicos, como o Afeganistão. Na década de 1970, mulheres possuíam liberdades que hoje são severamente restringidas. Atualmente, muitas enfrentam limitações impostas por um governo que restringe sua autonomia, sua participação social e diversos aspectos de sua vida cotidiana.

Chega a ser revoltante ver um país com uma cultura tão rica quanto a nossa enfrentar tantos desafios relacionados à informação, à educação e à participação cidadã. Muitas pessoas não enxergam a necessidade de ler, buscar conhecimento e compreender o que realmente acontece ao seu redor. Em vez disso, acabam consumindo informações de forma superficial ou sendo influenciadas por conteúdos que reforçam desinformação e discursos manipuladores. Na internet, especialmente, existem indivíduos e grupos que se aproveitam dessa situação para disseminar narrativas que contribuem para aumentar a desinformação e a polarização social.

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