Poluição por ozônio afeta quase 40% da população mundial em 2026

Foto: Pixabay

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02 Outubro 2026

Ondas de calor e incêndios florestais impulsionam poluição pelo gás; Rio de Janeiro está entre as cidades mais afetadas do mundo.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 01-09-2026.

A sequência de ondas de calor e incêndios florestais ao redor do mundo levou a um aumento das concentrações de ozônio troposférico em 2026, segundo uma nova análise do serviço climático europeu Copernicus. Quase 40% da população mundial está exposta a níveis perigosos desse gás, com impactos diretos na saúde pública. A Ásia é o continente mais afetado, com mais da metade da população sob níveis críticos de concentração de ozônio, superiores a 100 microgramas por metro cúbico (µg/m³).

O ozônio troposférico é um poluente secundário. Ele não é emitido diretamente, mas se forma no nível do solo quando poluentes chamados precursores, como óxidos de nitrogênio (NOx), compostos orgânicos voláteis (COVs) e monóxido de carbono, reagem sob a ação da radiação solar, especialmente em temperaturas elevadas. Por sua presença na faixa mais baixa da atmosfera, a troposfera — que vai do nível do mar a cerca de 15 mil metros de altitude —, o ozônio pode causar danos ao tecido pulmonar, problemas respiratórios, crises de asma e agravar doenças cardiovasculares, entre outros problemas de saúde.

Apesar dos avanços das últimas décadas na redução de poluentes, o combate ao ozônio troposférico é mais difícil, já que as mudanças climáticas agravam as condições que favorecem sua formação. Além disso, devido à química não linear do gás, reduzir os precursores nem sempre reduz o ozônio na mesma proporção.

Neste ano, a maior incidência de ondas de calor, com temperaturas muito acima do normal por um período mais prolongado, e de incêndios florestais em várias partes do mundo elevaram as emissões de precursores e favoreceram a formação de ozônio. O que, por óbvio, contribuiu diretamente para a piora das concentrações desse gás.

“A exposição simultânea a ondas de calor e à poluição do ar aumenta desproporcionalmente os riscos à população. Especialmente em grupos vulneráveis, como pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares e idosos”, explicou Ian Marnane, da Agência Ambiental Europeia, à Folha.

O quadro é particularmente grave na Ásia. Além de 53% da população exposta aos piores índices, como mostra o Copernicus, outros 37% dos asiáticos convivem com concentrações ruins ou muito ruins de ozônio.

A situação também é preocupante na América do Norte e na Europa. Apesar de terem uma proporção menor de sua população exposta às piores concentrações, ambos os continentes registraram um aumento significativo da poluição por ozônio desde janeiro. Na América do Norte, 25% da população vive em concentrações muito ruins do gás, enquanto 41% estão expostos a níveis ruins. Na Europa, enquanto 12% vivem em níveis muito ruins, outros 33% sofrem com concentrações ruins.

Na América do Sul a situação é bem diferente. Apenas 13% da população está exposta a níveis considerados ruins, muito ruins ou piores de ozônio troposférico. Segundo o Copernicus, isso se deve à redução dos incêndios florestais na região ao longo do ano. Entretanto, o Rio de Janeiro figura entre as cidades mais afetadas do mundo pelo nível crítico de ozônio, com concentrações acima de 110 µg/m³.

“A poluição do ar não conhece fronteiras. A fumaça de incêndios, o ozônio e a poeira podem viajar milhares de quilômetros, afetando comunidades muito distantes de sua origem”, afirmou Florian Pappenberger, diretor-geral do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Longo Prazo (ECMWF), citado pelo g1.

ABC News, Business Green, Phys e RFI, entre outros, repercutiram os novos dados sobre o ozônio troposférico.

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