Eleições 2026: candidatos com multas ambientais seguem recebendo crédito rural

Foto: no one cares/Unplash

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30 Setembro 2026

Dezenas de candidatos com autuações do IBAMA acessaram mais de R$ 253 milhões em crédito rural entre 2013 e 2026.

A reportagem é publicada por Climainfo, 29-09-2026.

Mais um levantamento sobre candidatos às eleições de 2026 mostra que o crime ambiental, de forma geral, não só segue impune, como também obtém dinheiro público e almeja ocupar (mais) vagas no Congresso Nacional e em outras instâncias de decisão política. Uma análise do Greenpeace Brasil, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do IBAMA e do Banco Central, mostra que 25 candidatos com autuações ambientais receberam crédito rural de mais de R$ 250 milhões entre 2013 e 2026. E 17 deles ainda têm multas ativas e não quitadas, que somam mais de R$ 11 milhões.

O levantamento identificou 137 candidatos de 21 partidos com ao menos uma multa ambiental aplicada entre 2008 e 2026, totalizando cerca de R$ 161 milhões. Mais da metade desse valor segue ativo — R$ 82,4 milhões que ainda não foram pagos, cancelados, substituídos ou suspensos. A maior parte dessas candidaturas concentra-se em seis partidos, todos de direita ou centro-direita: PL (20 candidatos), MDB (15), Podemos (13) e PSD e Republicanos (10 cada).

Apesar das autuações, ao menos 25 candidatos com multa ambiental registrada receberam crédito rural entre 2013 e 2026. Segundo o Greenpeace Brasil, o financiamento chegou a R$ 253,6 milhões no período. Os 17 nomes com multas ainda ativas e não quitadas respondem por R$ 47,6 milhões dessa cifra.

Também neste levantamento, o PL concentra a maior parte do valor de crédito rural para infratores ambientais (com multa registrada e/ou ainda ativa), com R$ 118,1 milhões do total, seguido pelo PSB, com R$ 69 milhões. Um segundo pelotão reúne PSDB, União Brasil, PSD e Podemos.

A presença de infratores ambientais nas eleições reflete uma dificuldade estrutural no combate aos crimes ambientais no Brasil. Essa turma possui representação política no Legislativo e mesmo no Executivo, nas três instâncias (municipal, estadual e federal) — e sempre quer (e consegue) mais cargos.

Como o Greenpeace lembra, candidatos a cargos públicos com registros de infração ambiental são recorrentes. Se incluirmos todas as candidaturas entre 2012 e 2026, o total de crédito rural liberado a infratores ambientais supera R$ 1,37 bilhão.

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Os infratores se beneficiam de brechas na legislação para continuar recebendo financiamento, apesar das multas. Pelas regras atuais de concessão de crédito rural, apenas propriedades com embargo por desmatamento não conseguem obter financiamento. Já outros embargos, como uso ilegal de fogo e pesca ilegal, infração ambiental sem embargo ou infração ambiental em outra propriedade que não a financiada, obtêm crédito.

“Fechar as lacunas nas regras do crédito rural é urgente para impedir que dinheiro público continue financiando quem já foi autuado por desrespeitar a legislação ambiental, e é ainda mais grave, neste contexto, que haja candidatos se beneficiando dessas brechas”, destacou Cristiane Mazzetti, coordenadora de desmatamento zero do Greenpeace Brasil. “O que vemos é um ciclo vicioso em que legisladores e executivos atuam para afrouxar e adiar regulamentações, reduzir a efetividade da fiscalização ambiental e desenhar licenciamentos sob medida em benefício próprio ou de sua base eleitoral.”

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