As obras demonstram fidelidade à vontade de Deus. Artigo de Consuelo Vélez

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25 Setembro 2026

Com a parábola do pai que pede a seus dois filhos que vão trabalhar na vinha, Jesus confronta as autoridades religiosas de seu tempo de forma direta e sem disfarces.

O que importa é agir de acordo com a vontade de Deus, e é isso que faz o filho que, no fim, vai para a vinha, mesmo tendo dito não.

O artigo é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 22-09-2026.

Eis o artigo.

"O que vocês acham? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: 'Filho, vá trabalhar hoje na vinha.' Ele respondeu: 'Não quero', mas depois se arrependeu e foi. Então o pai foi ao outro filho e disse a mesma coisa. Ele respondeu: 'Sim, senhor', mas não foi. Qual dos dois fez o que o pai queria?" "O primeiro", responderam eles. Jesus disse-lhes: "Digo-lhes a verdade: os publicanos e as prostitutas estão entrando no Reino de Deus antes de vocês. Pois João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça, e vocês não creram nele, mas os publicanos e as prostitutas creram. E mesmo depois de verem isso, vocês não se arrependeram para crer nele" (Mateus 21,28-32).

Hoje, o Evangelho nos oferece uma parábola simples que podemos resumir como a importância das ações sobre as palavras. Mas é útil esclarecer o contexto em que a parábola é contada para melhor compreendê-la. O texto anterior narra a controvérsia entre Jesus e os principais sacerdotes e anciãos do Templo, que o questionam sobre a origem de sua autoridade. É precisamente a eles, aqueles familiarizados com o Templo e a Lei Judaica, que Jesus conta a parábola dos dois filhos cujo pai lhes ordena que vão trabalhar em sua vinha. O primeiro filho diz que não quer, mas depois vai; o segundo filho diz que irá, mas no fim, não vai.

À luz dessa parábola, Jesus pergunta-lhes quem fez a vontade do Pai. Os sacerdotes e anciãos respondem prontamente que foi o primeiro. Mas Jesus confronta a resposta deles afirmando que os cobradores de impostos e as prostitutas entrarão no Reino dos Céus antes deles. Ele explica como, tendo recebido a pregação de João sobre o caminho da justiça, eles não a aceitaram, enquanto aqueles que eles rejeitam e em quem não acreditam são os herdeiros das promessas, justamente os que creem e mudam de vida.

Como podemos ver, Jesus confronta as autoridades religiosas de sua época de forma direta e sem rodeios. Não é de admirar que ele mereça perseguição e morte. De fato, o texto a seguir é a parábola dos lavradores assassinos, na qual os lavradores acabam matando o filho do dono da vinha quando este vai colher os frutos. Esse filho prefigura o próprio Jesus e seu destino final.

Um ponto interessante é que o Evangelho de Mateus quase sempre usa a expressão "reino dos céus" para evitar pronunciar o nome de Deus, um sinal de respeito pelos judeus cristãos aos quais o Evangelho é dirigido. No entanto, em quatro ocasiões, refere-se a "reino de Deus", e esta é uma delas. Podemos interpretar isso como mais uma provocação da parte de Jesus, dirigida aos principais sacerdotes e anciãos que ele acusa abertamente de não fazerem a vontade do Pai. Em última análise, o que importa é agir de acordo com a vontade de Deus, e é isso que o filho faz quando, no final, vai para a vinha, mesmo tendo dito não.

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