Petróleo avança na Foz do Amazonas sem avaliação dos riscos socioambientais

Foz do Amazonas vista por satélite. (Foto: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE/Flickr)

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23 Setembro 2026

Após aval para mais poços da Petrobras, Chevron contrata sísmica na região, mesmo persistindo dúvidas sobre a segurança ambiental das operações.

A informação é publicada por Climainfo, 22-09-2026.

A Petrobras deve anunciar a qualquer momento a análise dos indícios de petróleo encontrados na perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. A estatal já obteve o aval do IBAMA para perfurar mais três poços na área. E mesmo com a continuidade dos alertas de especialistas e ambientalistas sobre os impactos socioambientais das operações da indústria de petróleo e gás fóssil na Foz, outra petrolífera dá seus primeiros passos para explorar a região.

A SLB e a Shearwater GeoServices iniciarão um levantamento sísmico 3D (técnica que usa ondas sonoras para criar uma imagem tridimensional detalhada do subsolo) em águas ultraprofundas do Amapá, para avaliar o potencial de descobertas de petróleo e gás na Foz, contou o vice-presidente de Exploração da petrolífera estadunidense Chevron, Kevin McLachlan. No “Leilão do Fim do Mundo” realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), em junho de 2025, a Chevron adquiriu nove blocos na Foz, em parceria com a chinesa CNPC.

“No Amapá, estamos muito confiantes de que, com a aquisição que estamos fazendo utilizando streamers (cabos sísmicos), obteremos bons resultados. Mal posso esperar para vê-los”, afirmou McLachlan ao participar de uma mesa na ROG.e, o maior evento da indústria de petróleo e gás que acontece no Rio de Janeiro nesta semana. A área do levantamento está localizada a cerca de 130 quilômetros do poço perfurado pela Petrobras, informa o Money Times. O que comprova que a estatal brasileira “abriu a porteira” para a exploração petrolífera na região.

Os indícios descobertos pela Petrobras e a autorização para a empresa perfurar mais poços já haviam reforçado o alerta para os impactos ambientais na costa amapaense, destaca o g1. A região abriga dois dos ecossistemas mais sensíveis do planeta: o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e o maior corredor contínuo de manguezais do mundo, que estocam cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2.

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A doutora em Geologia e Geofísica Marinha, Valdenira dos Santos, explicou que a costa amapaense possui características hidrodinâmicas únicas que a diferenciam de qualquer outra bacia petrolífera do país, o que a torna de nível máximo de sensibilidade ambiental. “Se a gente vier a ter um problema ambiental, será muito mais difícil fazer a limpeza, porque a maior parte da nossa costa é composta por manguezais e florestas de várzea.”

Tudo isso poderia ter sido evitado com a realização de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS). O instrumento foi definido em 2012 por uma portaria dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e de Minas e Energia (MME) para subsidiar o planejamento da oferta de blocos para exploração de petróleo e gás, classificando as áreas como aptas, não aptas e em moratória, as quais necessitam de mais estudos.

No entanto, lembram DW e UOL, o Brasil não fez esse tipo de estudo, tanto na Foz do Amazonas quanto nas outras bacias sedimentares que compõem a chamada Margem Equatorial — Potiguar, Ceará, Barreirinhas e Pará-Maranhão. Ainda assim, os planos do governo brasileiro para avançar na exploração de combustíveis fósseis na região continuam a todo vapor.

Sem uma avaliação ampla e com aval do IBAMA, apesar da falta desse estudo, resta a Justiça. Em relação ao Bloco 59, na Foz, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a pedir ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) a suspensão da licença que autoriza a Petrobras a perfurar poços na área, informa o Poder 360. O recurso, apresentado na 5ª feira (17/9), pede que as atividades sejam interrompidas até que os estudos sobre os impactos nas Comunidades Tradicionais e na pesca artesanal do Pará sejam aprofundados.

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