Analisando nossas práticas eclesiais à luz da Igreja primitiva. Comentário de Consuelo Vélez

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04 Setembro 2026

Que o Evangelho de hoje nos convoque a revisar nossas práticas eclesiais, para que elas sempre deem testemunho do agir de Deus sobre a humanidade, acreditando no poder do diálogo como meio de transformação de todas aquelas condutas que desdizem o projeto divino.

O comentário do Evangelho do Domingo XXIII do Tempo Comum (06-09-2026) é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 01-09-2026.

Eis o artigo.

 

"Se teu irmão pecar, vai e repreende-o a sós, entre ti e ele. Se te ouvir, ganhaste teu irmão. Se não te ouvir, leva contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão se resolva pela palavra de duas ou três testemunhas. Se não os escutar, dize-o à comunidade (à Igreja); e se também não escutar a comunidade, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado no céu. Digo-vos ainda isto: se dois de vós, na terra, se unirem para pedir alguma coisa, seja o que for, meu Pai que está nos céus lhes atenderá. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18,15-20).

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus poderia ser considerado um capítulo eclesiológico, no qual são dadas recomendações sobre o que devem praticar os membros da Igreja. Nesse texto, são dadas duas recomendações. A primeira, a respeito do irmão que peca, e a segunda, sobre o reunir-se para orar dois ou três irmãos na fé.

Sobre o primeiro aspecto, nota-se a ênfase em buscar a inclusão do pecador na comunidade. Por isso, indicam-se diferentes níveis de acompanhamento. Em primeiro lugar, corrigi-lo em particular e, se não escutar, fazê-lo com dois ou três companheiros. Se a pessoa continuar se negando a mudar de atitude, apela-se à comunidade (à Igreja) para que seja ela, em conjunto, quem busque a mudança do pecador. O termo "Igreja" aparece somente aqui e em Mt 16,18.

Neste texto, também se repetem as palavras que Jesus já havia dito a Pedro num capítulo anterior, sobre a responsabilidade que a Igreja tem diante de seus membros: "o que ligardes na terra ficará ligado no céu, e o que desligardes na terra ficará desligado no céu". A insistência que vimos em buscar a mudança do pecador mostra a primazia da salvação oferecida por Deus sobre a condenação. Na verdade, Deus só tem a proposta de salvação para a humanidade, e disso a Igreja deve dar testemunho. A possibilidade da condenação depende da liberdade humana, e em nenhum caso da vontade de Deus.

O segundo aspecto se refere à presença de Deus no meio da comunidade. Sempre que dois ou três se reúnem em seu nome, Deus está no meio deles. Portanto, mais uma vez se nos indica onde Deus se encontra: nas pessoas, na comunidade, naqueles que se reúnem em seu nome.

Que o Evangelho de hoje nos convoque a revisar nossas práticas eclesiais, para que elas sempre deem testemunho do agir de Deus sobre a humanidade, acreditando no poder do diálogo como meio de transformação de todas aquelas condutas que desdizem o projeto divino.

No nível social, é um convite a invocar menos a guerra e mais o diálogo, porque este último pode transformar as pessoas, enquanto a guerra simplesmente as vence, mas não as convence.

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