A teóloga Keul alerta: a AfD pode forçar as igrejas a se autodestruírem

Foto: NIKA Schleswig-Holstein/Flickr

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27 Agosto 2026

Segundo Hildegund Keul, um possível governo estadual da AfD na Saxônia-Anhalt só distribuiria "financiamento em troca de autodestruição" para instituições religiosas. Em um artigo publicado na quarta-feira no portal teológico "feinschwarz.net", a teóloga fundamentalista de Würzburg escreve: "Se alguém quisesse receber financiamento para uma instituição ou mesmo um projeto após uma possível vitória eleitoral da AfD na Saxônia-Anhalt, teria que se submeter à agenda de extrema-direita do partido."

A informação é publicada por Katholisch, 26-08-2026.

A teóloga explica: "Nada sobre mudanças climáticas, nada sobre igualdade de gênero e, pelo amor de Deus, nada de positivo sobre migrantes". Ela argumenta que a retirada do financiamento criaria uma oportunidade para chantagem. Keul analisa que a pressão resultante para homogeneizar visa forçar uma guinada à direita. "O que você faria se só pudesse financiar um grande projeto omitindo certos tópicos, restringindo a linguagem e fazendo concessões insuficientes? Instituições educacionais, paróquias, a Cáritas e a Diaconia teriam que se desmantelar para receber financiamento", escreve Keul.

Objetivo: destruição da democracia

Segundo Keul, o partido AfD planeja doar o dinheiro arrecadado das igrejas para o "cristianismo autêntico em igrejas menores". Ela menciona explicitamente as igrejas "batistas" e "ortodoxas". "Mas quem são os ortodoxos?", questiona a teóloga. Ela suspeita que o partido provavelmente esteja incluindo "aquelas 'Novas Comunidades Religiosas' e 'Movimentos Carismáticos' que há muito são criticados por bons motivos, como a 'Comunidade de Loreto' ou a 'Casa de Oração de Augsburgo'".

Em seu artigo de opinião, a teóloga analisa um panfleto de campanha gerado por inteligência artificial do partido na Saxônia-Anhalt, que demoniza as igrejas, apresentando-as como controladas pelo diabo. Ao ameaçá-las com a ruína por meio da demonização, a AfD tenta convencer seus seguidores de que precisam de salvação através de um governo carismático-autoritário.

"Defensor do cristianismo"

O governo carismático, por sua vez, prospera em uma missão que é propagada como divina. O panfleto da campanha estigmatiza as igrejas como "anticristãs" e "perversas", enquanto a AfD é supostamente a "única força política relevante" a defender o cristianismo. "No entanto, dadas as suas políticas, que tentam aumentar a propensão à violência entre a população em geral — contra migrantes, contra pessoas LGBTQIA+, contra pessoas com deficiência, contra o movimento de proteção climática — isso só pode ser descrito como pérfido", enfatiza Keul.

O partido AfD, em sua busca por um governo carismático, visa forçar uma guinada à direita nas igrejas, instituições e movimentos cristãos. "Isso é perigoso tanto para a igreja quanto para a sociedade", afirmou a teóloga. Ela alertou que o governo carismático, que explora o anseio de muitas pessoas por políticas autoritárias, tem como objetivo destruir as democracias baseadas em regras.

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