Mais de 80% dos municípios do Brasil são vulneráveis a desastres climáticos

Foto: Wikimedia Commons

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21 Agosto 2026

Levantamento do Observatório do Clima na plataforma AdaptaBrasil revela suscetibilidade a alagamentos, enxurradas e deslizamentos.

A informação é publicada por ClimaInfo, 20-08-2026. 

Cerca de 4,5 mil dos 5,5 mil municípios brasileiros – pouco mais de 80% do total – apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres geo-hidrológicos. São cidades mais suscetíveis a impactos decorrentes de inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra.

O levantamento inédito foi feito pelo Observatório do Clima (OC) a partir de dados que abrangem a última década do Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças Climáticas (AdaptaBrasil), do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI). Para calcular a vulnerabilidade, a AdaptaBrasil combina a sensibilidade de uma cidade a eventos climáticos extremos com sua capacidade adaptativa.

A análise do OC mostra que 3,8 mil municípios do país (68% do total) têm risco médio, alto ou muito alto de inundações, enxurradas e alagamentos. Em 1,5 mil deles, o risco é alto ou muito alto. Já para deslizamentos de terra, 53% das cidades brasileiras – 2,9 mil municípios – têm risco médio, alto ou muito alto. Em 1.041 cidades (19% do total do país), o risco é alto ou muito alto.

Entre as capitais, Salvador (BA) tem a maior soma dos riscos de inundações e deslizamentos, seguida de Belém (PA), Manaus (AM) e Macapá (AP). O Nordeste concentra cinco das dez capitais com os maiores riscos somados, incluindo Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE).

Os números nacionais escondem grandes desigualdades: a exposição a riscos varia muito entre regiões, cidades e até mesmo bairros, dependendo de onde e como as pessoas vivem. Ou seja, renda, infraestrutura e acesso a serviços públicos também pesam na capacidade de enfrentar e de se recuperar dos impactos.

As projeções da base de dados indicam que os riscos aumentarão nas próximas décadas, mesmo nos cenários climáticos mais favoráveis. Em muitas capitais, a diferença entre os cenários otimista e pessimista é pequena, o que reforça a ideia de que o país precisa se adaptar rapidamente.

Tornar esse cenário menos ameaçador exige investimento público pesado, planejamento e capacidade de execução. Mas o problema não é só financeiro, já que as prefeituras precisam de equipes capazes de planejar e executar projetos que integrem temas como habitação, urbanismo, assistência social, meio ambiente e Defesa Civil. Além disso, boa parte da infraestrutura brasileira foi planejada para problemas conhecidos, e não para a nova escala de extremos climáticos.

A adaptação também precisa ganhar mais peso na política climática brasileira. E também deixar de ser tratada apenas como resposta a desastres, explica Diosmar Santana Filho, geógrafo e pesquisador na Associação de Pesquisa Iyaleta. “Adaptação é uma nova forma de desenvolvimento”, avaliou.

Já para Henrique Frota, diretor-executivo do Instituto Pólis, os esforços de adaptação e mitigação precisam avançar juntos, e rapidamente. “Temos que trabalhar agora em todas as frentes possíveis. Não dá para escolher. Tudo passa a ser fundamental do ponto de vista de uma agenda de ação climática realmente responsável.”

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