Ferramenta monitora o que governos estão fazendo para enfrentar o El Niño

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19 Agosto 2026

A probabilidade cada vez maior de um El Niño muito forte está levando todas as esferas do poder público no Brasil a se prepararem para mais eventos climáticos extremos nos próximos meses. Esse movimento não é generalizado e varia de estado a estado, município a município. Mas a intensidade potencial do fenômeno colocou firme a questão na agenda dos governos neste semestre.

A informação é publicada por ClimaInfo, 18-08-2026.

Para verificar como andam essas ações, o Instituto Talanoa lançou o Monitor do El Niño, ferramenta para acompanhar os diferentes planos e ações anunciados por municípios, estados e União para enfrentar os efeitos do fenômeno. Ele mostra que o tema ganhou importância no poder público, mas ainda falta uma maior articulação entre as diferentes instâncias para dar efetividade à resposta.

“Muitos atos estão longe do que seria uma preparação efetiva, alguns são claramente apenas para constar, mas é fato que algo aconteceu nos últimos anos na atenção dada pelos gestores públicos à questão climática”, afirmou Liuca Yonaha, vice-presidente do Talanoa, n’((o)) eco. “Falta ainda coordenação, governança, capacidades técnicas até o nível local e, claro, financiamento”, completou.

Dois fatores podem explicar o maior foco do poder público ao novo El Niño. Primeiro, a experiência da última vez que o fenômeno aconteceu, entre 2023 e 2024, quando houve uma seca extrema na Amazônia, estiagem no Sudeste e chuvas históricas no Rio Grande do Sul. E segundo, destaca o Fantástico, a intensidade esperada para o novo El Niño, que pode ser o mais forte em 76 anos de registros, com impactos ainda mais significativos do que há dois anos.

O Fantástico também mostra os impactos potenciais do “Super El Niño”. Além das chuvas intensas no Sul e da seca no Norte e no Sudeste, o fenômeno pode afetar as lavouras brasileiras, com reflexos potenciais no preço dos alimentos e, por consequência, na inflação. Outra preocupação é com o fogo, que deve encontrar condições mais propícias para se disseminar na Amazônia e no Pantanal, e em estados como São Paulo.

Todos esses impactos potenciais não fogem à atenção da indústria de seguros, cujas empresas estão sendo pressionadas a rever seus riscos climáticos para antecipar possíveis perdas e operar em um cenário de clima ainda mais instável nos próximos meses. Segundo O Sul, a leitura do setor no Brasil é de que o excesso de chuvas em algumas regiões pode afetar “linhas massificadas”, como os seguros que protegem veículos e casas, além de seguros contratados por empresas. Outra preocupação é o impacto no agronegócio e, consequentemente, no seguro rural.

“Hoje, a maioria das projeções aponta para um El Niño forte. Esse é o cenário com que estamos trabalhando”, disse Jarbas Medeiros, da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A expectativa é de maior impacto a partir de setembro, com a maior possibilidade de chuvas torrenciais concentradas em curto espaço de tempo. “Ninguém consegue prever exatamente quando ou onde isso vai acontecer. E isso é determinante para o tamanho das perdas.”

Outro ponto, assinalado por Pedro Cortês na CNN Brasil, é a baixa cobertura dos seguros no país. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) indicam que, entre 2022 e 2024, 67 eventos climáticos relevantes provocaram prejuízo estimado de R$ 184 bilhões no Brasil, mas apenas 9% dessas perdas estavam cobertas por seguros. Parte relevante desse prejuízo acaba sendo assumida pelo poder público por meio de ações emergenciais e de reconstrução.

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