Seca extrema “apaga” rios na Europa

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09 Junho 2026

Os incêndios florestais que queimaram a Europa no último mês são apenas um dos efeitos das fortes ondas de calor que vêm assolando o continente neste verão. Além das chamas, a falta de chuvas está secando a Europa Ocidental de tal forma que vários dos rios europeus mais importantes estão virando bancos de areia, com a água recuando a níveis cada vez mais baixos.

A informação é publicada por ClimaInfo, 10-08-2026.

Imagens de satélite deixam evidente a dimensão do desastre, assinala a CNN. Onde antes corriam rios caudalosos, agora sobram fios estreitos de água. Os impactos disso são enormes: os rios da Europa são artérias vitais para o transporte de mercadorias, a geração de energia hidrelétrica, o resfriamento de usinas nucleares, além de atrações turísticas e habitats para a vida selvagem.

A situação é particularmente preocupante no rio Reno, que corre dos Alpes suíços para o Mar do Norte, atravessando ou delimitando a fronteira de seis países – Suíça, Liechtenstein, Áustria, Alemanha, França e Países Baixos. Corredor logístico crucial para a economia europeia, o Reno atingiu na semana passada seu ponto mais baixo desde 1880, quando as medições oficiais começaram a ser registradas, segundo o New York Times.

De acordo com a Reuters, os baixos níveis do Reno ameaçam interromper o tráfego de cargas nesta semana na altura de Koblenz, na Alemanha, por conta do baixo volume de água. “Em princípio, o Reno deixaria de ser navegável em toda a sua extensão e, portanto, seria dividido em dois”, destacou Jens Schwanen, diretor-geral da associação federal alemã de navegação interior (BDB).

Mas o impacto vai muito além da logística. Especialistas temem os efeitos da seca sobre os ecossistemas locais, que já são normalmente pressionados pelo uso intensivo do Reno para transporte. “É possível ver como os bancos de cascalho estão secando. Esses bancos são habitats de mexilhões e invertebrados, que por sua vez servem de alimento para os peixes. Isso exerce uma enorme pressão sobre os ecossistemas. Os mexilhões não conseguem se deslocar com rapidez suficiente e acabam morrendo”, explicou Jeanette Völker, cientista da agência federal alemã para o meio ambiente, à DW.

Na Itália, a seca aumentou o drama que agricultores sofrem há anos com a redução do volume do rio Pó. Com os níveis historicamente baixos desta temporada, muitos produtores têm dúvidas se será possível produzir algo na próxima safra sem a água do Pó para irrigar suas plantações. Autoridades, agricultores e indústrias do país estão tentando enfrentar o problema, informam Bloomberg e Reuters.

Já na França, 43% dos pequenos rios monitorados pelo Escritório Francês para Biodiversidade apresentavam interrupções no fluxo ou leitos secos no final de julho. É um nível sem precedentes para esta época do ano desde o início dos registros, em 2012.

“A situação dos rios europeus é catastrófica. No sul da Alemanha e na Áustria, a situação é inédita. Há rios que nunca haviam secado antes e agora estão desaparecendo”, afirmou Thibault Datry, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola, Alimentar e Ambiental da França (INRAE), ao jornal Le Monde.

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