Envenenados e dessensibilizados por 56 guerras no mundo

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12 Agosto 2026

"Os estados maiores não estão nem aí. Em nome da guerra, da repressão, da agressão e da retaliação, incendeiam petroleiros, explodem refinarias e arrasam florestas, portos, fábricas, oleodutos, aeroportos, centrais de energia e ameaçam instalações nucleares", escreve Pino Corrias, jornalista, escritor, roteirista e produtor de televisão italiano, em artigo publicado por il Fatto Quotidiano, 08-08-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Alguém tem condições de nos dizer quanta porcaria tóxica está sendo lançada nos céus pelas 56 guerras em curso? E quanta nos mares e oceanos? Quantos incêndios queimam, todos os dias, nos escombros das refinarias bombardeadas, nos petroleiros encurralados, nos depósitos de combustível? E quanto tempo durarão os danos, o que os especialistas chamam de "perturbações de longa duração"?

Há meses, há anos, os noticiários têm exibido colunas de fumaça negra erguendo-se verticalmente - de Kiev a Gaza e ao Iêmen - não apenas engrossando as estatísticas de mortes celebradas por generais e políticos (que se vangloriam delas), mas também saturando nosso céu comum, consumindo oxigênio e intensificando o efeito estufa que está superaquecendo o planeta, onde nós, multidão de homens e mulheres mantidos reféns de todos os bandidos no poder, estamos condenados a fritar? Quem mede esse veneno? Quem consegue romper a muralha de silêncio mantida pelos Estados maiores? Quem o contabiliza nos gráficos usados todas as manhãs para nos dizer que devemos baixar o termostato, usar com parcimônia o ar-condicionado, apagar as luzes, trocar de carro, consumir menos carne, reciclar e respirar com moderação? Um estudo internacional realizado por climatologistas calculou que a destruição de 600 poços de petróleo no Iraque durante a primeira Guerra do Golfo (1990–1991) aumentou as emissões globais de CO2 em 4%; 700 milhões de litros de petróleo bruto foram derramados no Golfo Pérsico, e pelo menos 300 quilômetros da costa do Kuwait ficaram enegrecidos pelo óleo.

As estimativas mais recentes, de 2022, indicam que as atividades militares são responsáveis por 5% a 7% dos gases de efeito estufa que estão nos sufocando. Os primeiros quatro anos da guerra na Ucrânia geraram 311 milhões de toneladas de CO2, enquanto em Gaza, além das 75.000 mortes, 33 milhões de toneladas de gases de efeito estufa foram liberadas na atmosfera. Quanto às florestas, 280.000 hectares em todo o mundo foram queimados nos últimos anos devido a drones e bombardeios. Cada míssil deixa um rastro químico no ar. Cada depósito de combustível que explode libera toneladas de fumaça tóxica na atmosfera. Cada cidade incendiada continua a queimar muito depois de os mortos terem sido enterrados.

Existem áreas na França, perto da fronteira com a Bélgica, que permanecem contaminadas por chumbo e mercúrio desde a Segunda Guerra Mundial. Sem falar nas selvas do Vietnã, ainda envenenadas pelo napalm.

Os estados maiores não estão nem aí. Em nome da guerra, da repressão, da agressão e da retaliação, incendeiam petroleiros, explodem refinarias e arrasam florestas, portos, fábricas, oleodutos, aeroportos, centrais de energia e ameaçam instalações nucleares. Tudo isso enquanto debatemos - com razão, mas também de forma absurda - se uma caldeira emite algumas gramas a mais de CO2, se vale a pena proibir os canudinhos de plástico e plantar árvores em frente às escolas. As guerras modernas pouco se importam com trincheiras; elas marcam a linha do front e precisam de tempos longos tomá-las. Os generais estão muito mais interessados em aterrorizar (e exterminar) os civis. Bombardeiam o clima. Bombardeiam o ar. Bombardeiam a água. Bombardeiam o futuro de enormes territórios.

Primeiro no Golfo, depois nos Bálcãs, milhares de bombas e projéteis de urânio empobrecido foram utilizados, envenenando a terra e matando tanto soldados quanto civis, mesmo anos depois. Toda a região de Donbas é palco de um ecocídio, pela destruição e contaminação sistemáticas de tudo: territórios, vilarejos, cidades, terras agrícolas e rios. Há quatro anos, russos e ucranianos lançam diariamente centenas de drones e mísseis uns contra os outros. Em Gaza, Israel continua a arrasar o que resta de um povo. Navios afundam no Mar Negro. Petroleiros explodem no Mar Vermelho.

O Estreito de Ormuz é um gargalo de navios encurralados. Cada incêndio é uma catástrofe fora de controle. Cada bombardeio, um apocalipse de toxinas. O segredo militar encobre tudo. Antes por costume, agora por acordos internacionais. O primeiro deles foi o Protocolo de Quioto de 1997 sobre mudanças climáticas, que permitiu contornar a contabilização e o relato dos danos causados por armas e guerras.

Os Acordos de Paris de 2015 reafirmaram isso. O motivo? O de sempre: segurança nacional. Para os exércitos, isso é a chave mestra para selar tudo, não apenas as contagens de mortos, feridos e investimentos financeiros, mas também os venenos e os danos que provocam. Tudo isso reiterado nas vinte e oito subsequentes conferências sobre o clima, nas quais os generais nunca faltam, sentados na primeira fila, exibindo medalhas para cada ato de destruição.

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