Desmatamento na Amazônia reduz chuvas e compromete produção de grãos no Paraná

Foto: Agência Brasil

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08 Agosto 2026

Pesquisa mostra como destruição da maior floresta tropical do mundo está relacionada com secas que ameaçam plantios e produção de energia hidrelétrica no estado paranaense.

O artigo é de Duda Menegassi, publicado por ((o))eco, 06-08-2026.

Eis o artigo.

Um estudo recém-publicado traz novos dados científicos que comprovam: o desmatamento da Amazônia está diretamente relacionado com a redução das chuvas em outras partes do Brasil. No caso da pesquisa, o foco está no Paraná e na correlação da perda da maior floresta tropical do mundo com a seca e prejuízos na produção de grãos, energia elétrica e pecuária em território paranaense, além da influência de fenômenos como El Niño e La Niña na situação hídrica do estado.

O artigo foi publicado no periódico Brazilian Journal of Biology, com acesso aberto, no final de julho, e é assinado por um time de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O estudo investiga como o avanço do desmatamento na Amazônia tem impactado o regime de chuvas na Bacia Hidrográfica do Rio Iguaçu e entorno, região que concentra 35 municípios, responsáveis por 60% da produção de grãos e 23% da pecuária do Paraná; além de cinco hidrelétricas que fornecem 41% da energia do estado.

A destruição da vegetação amazônica reduz a capacidade de evapotranspiração da floresta, ou seja, a quantidade de água liberada para a atmosfera e que é carregada para outras regiões por meio dos rios voadores, que por sua vez levam as chuvas para o sul do país.

O estudo analisou mensalmente dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Imazon; e de precipitação de 64 estações pluviométricas por mais de uma década, entre janeiro de 2011 a dezembro de 2023. O resultado desse cruzamento de informações revelou que os meses ou períodos com maior desmatamento estão associados a menores volumes de chuva na bacia paranaense.

“Essa relação é corroborada tanto por análises estatísticas quanto por estudos meteorológicos, que indicam o papel fundamental da floresta amazônica no ciclo regional de umidade e no fornecimento de umidade atmosférica ao sul do estado do Paraná. O avanço do desmatamento perturba esse equilíbrio e pode intensificar eventos extremos, como secas prolongadas e mudanças na distribuição espacial e temporal das chuvas”, concluem os cientistas.

A pesquisa também analisou a influência dos fenômenos climáticos recorrentes El Niño e La Niña que surgem de variações nos ventos e nas temperaturas do Oceano Pacífico. Enquanto o primeiro tende a aumentar a quantidade de chuva na Bacia do Iguaçu – enquanto deixa as condições mais secas na Amazônia. Já a La Niña tende a fazer o oposto: mais umidade na floresta amazônica e menos chuva na região Sul do Brasil.

A influência dos fenômenos no desmatamento, porém, é secundária diante de decisões políticas e legislativas, aponta o estudo, que também analisou a perda de floresta com o contexto político. “(…) a interação entre interesses econômicos, agendas políticas governamentais e pressões internacionais provavelmente desempenhou um papel na definição da dinâmica do desmatamento, destacando a complexa relação entre a governança política e os processos ecossistêmicos no Brasil”, destacam os pesquisadores.

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