Milei continua sua turnê regional e planeja uma "cúpula azul" no país

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30 Julho 2026

A foto do presidente com seus pares e outros líderes alinhados aos Estados Unidos foi usada por sua comitiva para apresentá-lo como um modelo para a América Latina, embora a liderança e os objetivos do bloco sejam definidos em Washington.

A reportagem é de Melisa Molina, publicada por Página/12, 30-07-2026.

Após o fiasco diplomático no Brasil e sua participação na posse da presidente peruana Keiko Fujimori, Milei dará continuidade à sua turnê de visitas a presidentes de direita na região. No dia 7 de agosto, ele viajará para a Colômbia e também visitará o Equador. Fontes próximas a ele confirmam que estão planejando uma "cúpula azul " para a Argentina, antes do final do ano. Lá, além de criticarem o que chamam de "wokismo", reafirmariam seu alinhamento com o governo dos Estados Unidos. Milei aspira liderar esse movimento, mas a formação desse "bloco" ainda está por vir.

A viagem ao Peru rendeu a Milei uma foto com vários presidentes de direita da América Latina, que o governo argentino procurou exagerar numa tentativa de mostrar que Milei seria uma espécie de "líder regional".

Na imagem tirada dentro do Congresso peruano, é possível ver o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o presidente do Equador, Daniel Noboa, o presidente do Chile, Antonio Kast, José Raúl Mulino, do Panamá, Rodrigo Paz, da Bolívia, e Nasry Asfura, de Honduras, com Milei ao centro, fazendo um sinal de positivo com o polegar.

Essa imagem foi compartilhada pelas redes sociais da Libertad Avanza com o slogan: “farol dos faróis”, e acrescentaram: “a direita na América Latina mais forte do que nunca. VIVA A LIBERDADE, CARAMBA!”

Conforme noticiado por este jornal, a foto também foi compartilhada pelo assessor presidencial Santiago Caputo, que semanas antes havia se reunido com o vice-presidente eleito do Peru, Luis Galarreta, em seu gabinete na Casa Rosada.

Outros membros da patrulha digital que respondem a Caputo também compartilharam a foto, ecoando essa ideia. Um deles foi Nicolás Promanzio, usuário do Twitter das Forças do Céu e palestrante em eventos de streaming libertários. “A centralidade da Argentina é impressionante. Aos poucos, estamos começando a recuperar a proeminência em nossa região que tínhamos há mais de um século”, exagerou ele.

Ele acrescentou então: “A Argentina está liderando a nova onda política na região. Vocês acham que a campanha de desinformação anti-Argentina coordenada pelo Brasil, Reino Unido e Oriente Médio nas últimas semanas é uma coincidência? Há diversos atores internacionais, tanto estatais quanto não estatais, que estão incomodados com o que vem acontecendo no Cone Sul.”

O serviço de streaming libertário “Carajo”, apresentado por Daniel Parisini, também conhecido como Gordo Dan, entrou na onda de promover Milei como se ele fosse um líder regional: “O presidente Milei é um líder regional, transformou a Argentina em um farol para o Ocidente e promoveu mudanças em toda a América Latina”, publicaram.

Além da foto compartilhada pela conta oficial do La Libertad Avanza, outras imagens de Milei na posse de Fujimori também circularam. Em uma delas, por exemplo, Kast aparece tirando uma selfie com os outros líderes e o presidente eleito. Nessa imagem, porém, há um detalhe: para surpresa de todos, Milei incluiu sua irmã Karina, que ocupa o cargo de Secretária-Geral da Presidência, como se ela também fosse presidente.

Em outra fotografia divulgada na terça-feira, os presidentes de direita da região apareciam sentados em círculo ao redor do rei Felipe VI da Espanha, que também viajou para o evento. Milei e sua comitiva, mais uma vez, tentaram apresentar essa foto como se ele também tivesse liderado a discussão.

Em dezembro passado, Milei anunciou que estava trabalhando na ideia de criar um bloco regional. Em entrevista à CNN, ele disse: “Ainda não demos um nome, mas há um grupo de dez países na região que têm trabalhado para abraçar os ideais de liberdade e se opor ao câncer do socialismo”.

No entanto, para além das fotos e do desejo de Milei de ser o representante de Trump na América Latina para suplantar a China, a criação do bloco e seus objetivos centrais ainda estão por se concretizar.

Por um lado, há concordância entre vários líderes da região em relação a certas retóricas "anti-woke" ou "anti-socialistas". No entanto, há presidentes como a própria Fujimori, ou o presidente chileno Antonio Kast, cujo alinhamento com os Estados Unidos não é tão claro quanto no caso da Argentina sob o governo de Milei.

Nesses países, as oligarquias locais têm grandes fluxos de exportação para a China e, além das exigências políticas dos Estados Unidos, não enxergam exatamente o benefício econômico que a expulsão do gigante asiático da região, como desejam Trump e seu Secretário de Estado Marco Rubio, lhes traria. Fujimori, por exemplo, foi cautelosa em suas declarações sobre esse assunto durante sua campanha presidencial.

Em todo caso, Milei e sua equipe continuarão organizando a cúpula de presidentes de direita em Buenos Aires nas próximas semanas. Por ora, sua equipe não confirmou uma data específica e afirma que o local do evento também ainda não foi definido.

O que está confirmado é a viagem que o presidente da Argentina fará à Colômbia em 7 de agosto para participar da posse do novo presidente de direita, Abelardo de la Espriella. Milei também deverá viajar ao Equador para se encontrar com o presidente daquele país, Daniel Noboa.

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