O medo agora impulsiona a extrema-direita; Weidel sonha com a AfD como partido líder

Alice Weidel na CPAC Hungria 2025. (Foto: Elekes Andor/Wikimedia Commons)

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27 Julho 2026

A líder extremista, assumidamente lésbica, afirma que sua equipe é a melhor para garantir a segurança. As eleições de setembro estão em jogo.

A reportagem é de Tonia Mastrobuoni, publicada por La Repubblica, 27-07-2026.

Uma das figuras mais radicais do AfD, Lena Kotrè, parlamentar de Brandemburgo que organizou um encontro meses atrás com o mais famoso ideólogo da remigração, Martin Sellner, resumiu na revista X uma posição difundida entre a extrema-direita alemã a respeito do ataque na Parada do Orgulho LGBTQ+ de Berlim: "A comunidade LGBTQ+ não precisa nos amar e não devemos nos tornar amigos. Mas somos os únicos garantidores de sua segurança." Seria risível se não fosse a posição oficial que Alice Weidel, líder do AfD e lésbica assumida, sempre defendeu. De um palco na Renânia, ela proclamou anos atrás que havia se filiado a um partido homofóbico como o AfD justamente por ser lésbica. Porque isso a fazia se sentir mais segura, porque queria ter certeza de voltar para casa sã e salva, sem ser atacada por fanáticos islâmicos.

O AfD e Weidel condenaram, portanto, o ataque ao Christopher Street Day, a partir de sua perspectiva ferozmente islamofóbica. Mas o ataque à Parada do Orgulho ocorre em um momento muito delicado para o futuro da Alemanha. Primeiro, porque alguns membros do AfD, como Lena Kotrè, há muito defendem a necessidade de ampliar o escopo da remigração para incluir migrantes com passaportes alemães — como Abdul Ballout — em suma, até mesmo aqueles que "não se integram". A ideia dessas franjas mais radicais da extrema direita é que milhões de pessoas devem ser expulsas da Alemanha, e não apenas refugiados e migrantes que cometeram crimes, como preconizado na plataforma do partido.

O segundo motivo pelo qual o ataque terrorista de sábado à noite é chocante é que três estados alemães realizarão eleições neste outono: Saxônia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim. E o AfD está à frente em todos eles — por alguns dias, chegou a ser o partido líder na capital tradicionalmente "vermelha", a cidade de Willy Brandt e Bertolt Brecht, governada por décadas pelos social-democratas. Um choque.

Mas no dia 6 de setembro, ocorrerá a primeira eleição na Saxônia-Anhalt, que poderá abalar o governo de Merz: o AfD detém mais de 40% dos votos há meses e pode até aspirar a governar sozinho. Uma perspectiva aterradora, dada a plataforma extremista de seu candidato a governador, Ulrich Siegmund. Em comícios, ele é ovacionado com gritos de "Sieg!" e a multidão responde com "Mund", uma clara associação com o "sieg heil" dos tempos sombrios.

Mesmo que não consigam sozinhos, a aristocrata Sahra Wagenknecht já afirmou que poderia garantir a tomada do poder pela extrema-direita através de apoio externo. E num verdadeiro "momento Von Papen", que lembra o famoso político conservador que deu sinal verde à aliança com Hitler em 1933 ao explicar aos seus seguidores: "Vamos encurralá-lo até ele ceder", o governador da Saxônia e membro proeminente da CDU, Michael Kretschmer, criticou duramente o cordão sanitário. Ele, que lidera um governo minoritário, quer conversar "com todos" daqui para frente, inclusive com o AfD.

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