Milhares de pessoas saem às ruas protestando contra as reformas de Milei: "Hoje, o salário mínimo da Argentina é o mais baixo da América Latina"

Mais Lidos

  • O mundo como refém: sequestros, assassinatos de Estado e a escalada rumo à guerra nuclear. Entrevista com Eden Pereira

    LER MAIS
  • A Argentina é um país racista?

    LER MAIS
  • Por que a imagem de Jair Bolsonaro com evangélicos não cola em Flávio

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

23 Julho 2026

Os sindicatos unem-se aos pensionistas na denúncia do impacto da reforma laboral e da perda de direitos dos trabalhadores sob o governo Milei.

A reportagem é de Mercedes López San Miguel, publicada por El Diario, 22-07-2026.

Com o fim da cortina de fumaça da Copa do Mundo, as três principais centrais sindicais e organizações sociais da Argentina se manifestaram nesta quarta-feira em apoio aos aposentados. A concentração de milhares de pessoas perto do Congresso, no centro de Buenos Aires, não foi tão grande quanto os organizadores esperavam. A manifestação faz parte de um plano de ação inspirado no modelo francês para levar às ruas as reivindicações contra a reforma trabalhista regressiva promovida pelo governo de extrema-direita de Javier Milei, bem como a demanda por salários e aposentadorias dignos.

Vestindo uma jaqueta com a frase “As Ilhas Malvinas são argentinas”, Cristian Valderrama reclama da situação socioeconômica. “Não gosto de ver aposentados passando fome por causa das políticas de Milei. Meus pais vão se aposentar em breve e eu não vou conseguir sustentá-los, porque mesmo agora, como adulto funcional, é muito difícil para mim fechar as contas com essa economia impossível”, diz o jovem que trabalha como cinesiologista.

A mobilização formalizou a aliança entre as principais centrais sindicais — a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e as duas facções da Central Sindical dos Trabalhadores da Argentina (CTA) — juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores da Economia Popular (UTEP). Este é o primeiro passo de um plano de ação que busca canalizar o descontentamento acumulado entre a classe trabalhadora devido aos efeitos dos cortes no orçamento nacional em áreas-chave como saúde pública e educação.

Hugo Yasky, secretário-geral da CTA, destaca ao elDiario.es o tema central da proclamação: “Temos denunciado a reforma trabalhista e a brutal supressão dos direitos dos trabalhadores. A evolução dos dados estatísticos mostra que agora há mais trabalhadores informais, mais desemprego e uma queda maior nos salários. Hoje, o Salário Mínimo, Vital e Móvel, é o mais baixo da América Latina em dólares” (372.989 pesos, cerca de 250 dólares).

O desemprego na Argentina atingiu 7,8% no primeiro trimestre, segundo dados oficiais. Há dois anos e meio, a taxa de desemprego em Milei era de 5,7%.

Questionado se os sindicatos poderiam ter exercido mais pressão para evitar retrocessos sociais — visto que a reforma trabalhista foi aprovada em fevereiro —, Yasky respondeu: “Houve tentativas de impedi-la: uma greve convocada pelas três principais federações sindicais, que foi muito criticada na época porque Milei estava no cargo havia apenas alguns meses. É verdade que as ações perderam força posteriormente, porque alguns líderes entenderam que era necessário tentar dialogar com o governo. Hoje, estamos unidos pela certeza de que não estamos diante de um governo que queira conversar.”

Líderes sindicais alertam que a marcha de quarta-feira é o prelúdio de um plano mais amplo de ação direta. Um passo adiante será dado em 7 de agosto com a tradicional marcha de San Cayetano, um marco anual para os movimentos populares.

No horizonte, embora ainda sem data definida, a possibilidade concreta de uma greve geral se aproxima caso a Casa Rosada insista em sabotar as negociações. Em comunicado oficial, a CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) declarou: “Estamos marchando para que uma aposentadoria possa garantir uma vida digna. Para que aqueles que trabalharam a vida inteira não precisem escolher entre comprar remédios ou colocar comida na mesa”. O secretário-geral adjunto da CGT, Andrés Rodríguez, resumiu a mudança no clima social e o esgotamento dos canais institucionais: “A realidade enfrentada pelos trabalhadores e suas famílias é alarmante. Houve uma trégua fictícia no país por conta da Copa do Mundo, mas a trégua acabou e os problemas do dia a dia estão ressurgindo”.

Aposentados protestam todas as quartas-feiras em frente ao Congresso, pois são o setor mais afetado pelas políticas de austeridade do governo. Milei, que pretende se candidatar à reeleição no próximo ano, planeja privatizar o sistema de previdência, de acordo com a lista de reivindicações dos sindicatos.

Walter Piriz, um metalúrgico aposentado, diz que recebe um pouco mais do que a aposentadoria mínima (481 mil pesos, o equivalente a cerca de US$ 322) e que não é suficiente. “Venho de Campana, na província de Buenos Aires, a duas horas de carro daqui. Nosso protesto é o único que acontece há bastante tempo. Somos um ponto de referência na estrada, mesmo que nos batam e às vezes joguem gás lacrimogêneo em nós.” Como exemplo, antes da marcha, as forças de segurança usaram spray de pimenta em uma operação contra uma manifestação de organizações sociais que se reuniram nos acessos à cidade de Buenos Aires.

Enquanto milhões de argentinos continuam a cortar gastos para conseguir pagar as contas, os senadores receberão quase 12 milhões de pesos brutos por mês (mais de US$ 8.000) a partir de agosto, graças a um sistema que atualiza automaticamente seus auxílios sempre que os salários dos funcionários do Congresso aumentam. Eles estão sendo protestados nas ruas.

Leia mais