17 Julho 2026
Fumaça das chamas no Canadá chegam aos EUA e milhões de estadunidenses enfrentam alertas de qualidade do ar, de Minnesota a Nova York.
A informação é publicada por ClimaInfo, 16-07-2026.
Em um dia em que a qualidade do ar em Toronto, no Canadá, foi classificada como a pior entre as principais cidades do mundo pela empresa suíça IQAir, a fumaça de incêndios florestais no noroeste da província canadense de Ontário escureceu os céus e se espalhou pelo nordeste dos Estados Unidos. O quadro observado na 4ª feira (15/7) levou a alertas de saúde e pedidos para que os moradores limitem as atividades ao ar livre, informam Folha e Reuters.
A densa faixa de fumaça oriunda de mais de 180 incêndios florestais ativos no norte de Ontário, segundo o Guardian, e também de chamas em parte de Minnesota, nos Estados Unidos, pode ser vista em imagens de satélite. A fumaça atravessa os Grandes Lagos, passa pelo sul de Ontário e Nova Inglaterra, até chegar à cidade de Nova York. Parte dela, inclusive, está se deslocando sobre o Oceano Atlântico e retornando à costa leste canadense, segundo o New York Times.
Anteontem, a Environment Canada registrou para Toronto uma leitura de 10+ no Índice de Qualidade do Ar para a Saúde, classificada como risco muito alto, e as previsões indicavam que as condições perigosas poderiam se estender até a noite de 5ª feira (16/7). As chamas já haviam queimado 1,9 milhão de hectares – quase 13 cidades de São Paulo – no Canadá. Além de Ontário, as províncias centrais de Manitoba e Saskatchewan registravam focos de incêndio.
Ontário solicitou ao governo do Canadá que se preparasse para agilizar o envio de recursos federais para apoiar evacuações devido aos incêndios florestais, incluindo possíveis mobilizações das Forças Armadas, de acordo com a Bloomberg. Segundo a ministra da Preparação para Emergências, Jill Dunlop, quinze comunidades no norte da província iniciaram ou consideravam iniciar a evacuação de pessoas.
Nos EUA, os índices de qualidade do ar atingiram níveis perigosos em muitas cidades do país, incluindo Chicago, Cleveland, Detroit e Minneapolis. Em Nova York, as autoridades locais pediram aos moradores que reduzissem atividades físicas intensas ao ar livre e fizessem pausas extras caso estivessem na rua.
Mais tóxica do que a poluição atmosférica “normal”, a fumaça dos incêndios florestais pode permanecer no ar por semanas e viajar milhares de quilômetros. As chamas podem queimar não apenas a vegetação, mas também veículos e edifícios, bem como seus conteúdos. Por isso, além de partículas de solo e materiais biológicos, a fumaça dos incêndios florestais frequentemente contém traços de produtos químicos, metais, plásticos e outros materiais sintéticos, detalha a Reuters.
Em experimentos de laboratório, a fumaça de incêndios florestais causou mais inflamação e danos aos tecidos do que a poluição do ar habitual, afirma Kent Pinkerton, codiretor do Centro de Saúde e Meio Ambiente da Universidade da Califórnia, em Davis. Estudos associaram essa fumaça a taxas mais altas de ataques cardíacos, derrames e paradas cardíacas, aumento de visitas ao pronto-socorro por asma, enfraquecimento das defesas imunológicas e menores taxas de sobrevivência após cirurgias.
O avanço da fumaça dos incêndios florestais no Canadá foi repercutido por AFP, WION, France24, BBC, CTV News, CBC e USA Today.
Em tempo
Na França, um bombeiro voluntário está sendo formalmente investigado por suspeita de ter iniciado um incêndio na floresta de Fontainebleau, ao sul de Paris, segundo a BBC. Ele é uma das pelo menos seis pessoas interrogadas sobre o incêndio, que queimou mais de 2.000 hectares e levou à evacuação de cerca de 1.000 pessoas. Embora as chamas tenham sido controladas, não foram totalmente extintas. Em visita ao local ontem, o presidente Emmanuel Macron afirmou que não haverá clemência para os incendiários.
Leia mais
- Incêndios já queimaram 150 milhões de hectares de vegetação no planeta em 2026
- Policrise planetária vai gerar milhões de migrantes na segunda metade do século XXI. Entrevista especial com Gaël Giraud
- "Super El Niño" pode gerar incêndios extremos em 2026
- Oceanos mais quentes intensificam risco de “super El Niño”
- Europa tem recorde de calor, incêndios florestais e derretimento de geleiras em 2025
- UE avalia “cláusula de freio” para flexibilizar e destravar meta climática para 2040
- Incêndio destrói mais de 13 mil hectares de florestas e plantações na Patagônia argentina
- Incêndios florestais estão piorando qualidade do ar em todo o mundo, alerta OMM
- Onda de incêndios na Europa: a anomalia que será a norma
- Calor recorde: “Esta é a nova normalidade, estamos entrando na era do fogo”
- Mudança climática aumenta o risco global de incêndios florestais
- Mudança climática tornará os incêndios florestais mais frequentes e intensos, alerta relatório
- O fenômeno El Niño chegará em 2026: embora não haja certeza sobre sua intensidade, a América Latina e o Caribe devem se preparar
- Super El Niño pode ser o mais forte em 140 anos e elevar calor até 2027
- Chile decreta estado de calamidade pública por causa dos incêndios florestais
- Incêndios na Patagônia: mais uma prova de como condições climáticas extremas aceleram a propagação do fogo
- Crise climática, intencionalidade e negligência: por que a Patagônia queima todos os anos
- Incêndio destrói mais de 13 mil hectares de florestas e plantações na Patagônia argentina
- Os incêndios na Patagônia argentina expõem a negligência das autoridades