Agentes do ICE e da Patrulha da Fronteira estiveram envolvidos em pelo menos 29 tiroteios desde que o republicano retornou à Casa Branca, sendo o incidente no Maine o mais recente.
A informação é de Alonso Martínez, publicada por El País, 14-07-2026.
Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, agentes federais responsáveis pela aplicação das leis de imigração estiveram envolvidos em pelo menos 29 tiroteios, de acordo com uma análise do Gun Violence Data Hub. Pelo menos oito desses incidentes resultaram em morte, embora outras fontes elevem o número ao incluir casos envolvendo agentes da Patrulha da Fronteira ou outras divisões do Departamento de Segurança Interna (DHS).
Os casos chamaram a atenção porque, em vários deles, as autoridades alegaram que as vítimas usaram seus veículos como armas para tentar atropelar os agentes, versão que foi posteriormente contestada por familiares, testemunhas e vídeos divulgados durante as investigações. Nesta terça-feira, o ICE ordenou a suspensão das apreensões de veículos após as mortes de dois imigrantes no Texas e no Maine.
Esta é uma contagem das pessoas que morreram em decorrência de tiroteios realizados por agentes federais durante o segundo mandato de Trump.
A polícia de imigração dos Estados Unidos está no centro de uma nova polêmica. Um colombiano de 26 anos foi baleado e morto por agentes no estado do Maine. Autoridades alegam que o jovem tentou atropelar um policial, mas testemunhas contestam a versão e afirmam que os agentes… pic.twitter.com/NT8sUeGlVZ
— Correio Braziliense (@correio) July 13, 2026
O caso mais recente ocorreu em 13 de julho de 2026, em Biddeford, Maine. Joan Sebastian Duran Guerrero, um colombiano de 26 anos, morreu após ser baleado por um agente do ICE durante uma operação de imigração. De acordo com o Departamento de Segurança Interna, o agente abriu fogo depois que o homem tentou fugir e usou seu veículo contra os policiais.
No entanto, testemunhas afirmaram que o carro não parecia estar indo em direção aos policiais. O gabinete do senador Angus King também informou que Guerrero não era o alvo inicial da operação, enquanto organizações de defesa dos imigrantes ressaltaram que ele tinha autorização para trabalhar nos Estados Unidos e possuía um número de Seguro Social.
O FBI e o Gabinete do Procurador-Geral do Maine continuam investigando o caso.
Stati Uniti, giovane colombiano ucciso dall'ICE: il video che inchioda gli agenti - la Repubblica https://t.co/8fqgqOQMXT
— IHU (@_ihu) July 15, 2026
Seis dias antes, em 7 de julho, um agente do ICE atirou e matou Lorenzo Salgado Araujo, um mexicano de 52 anos que vivia nos Estados Unidos há mais de três décadas. Salgado Araujo dirigia uma caminhonete com membros de sua equipe de construção a caminho do trabalho quando foi parado por agentes federais em Houston.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) alegou que o motorista tentou atropelar os agentes com o veículo e que o policial atirou em legítima defesa. No entanto, familiares e advogados dos passageiros rejeitaram essa versão e exigiram uma investigação independente. O mexicano morreu a caminho do hospital.
Silverio Villegas González: o cozinheiro foi morto a tiros após deixar uma criança na creche.
Um dos primeiros tiroteios contra migrantes durante o segundo mandato de Trump ocorreu em setembro de 2025, quando Silverio Villegas Gonzalez, um cozinheiro mexicano de 38 anos, foi morto durante uma abordagem policial nos subúrbios de Chicago.
As autoridades afirmaram que o homem tentou fugir e arrastou um policial com seu veículo, o que levou ao uso de arma de fogo. No entanto, imagens de vídeo posteriores mostraram o policial caminhando pelo local e minimizando os ferimentos, que inicialmente haviam sido descritos como graves pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). A investigação permanece em aberto.
Lo que ha ocurrido en Maine, es un asesinato a un colombiano, latinoamericano en manos del gobierno de los EEUU.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) July 14, 2026
Lo mataron por creerlo un ser inferior y sin derechos y como persona tenía todos los derechos que a un ser humano se le confieren solo por nacer y era ciudadano con… https://t.co/3jPnwbpBen
As primeiras semanas do ano foram marcadas por duas mortes que desencadearam protestos em todo o país. Em 7 de janeiro de 2026, Renée Good, cidadã americana e mãe de três filhos, foi morta quando um agente do ICE atirou contra seu veículo durante protestos contra a Operação Metro Surge em Minneapolis. O governo alegou que o agente abriu fogo porque o carro representava uma ameaça. No entanto, vídeos divulgados posteriormente pareciam mostrar Good virando o volante para se afastar do agente no momento em que ele atirou.
Pouco mais de duas semanas depois, em 24 de janeiro, Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, foi morto a tiros durante outro protesto relacionado às operações de imigração em Minneapolis. Nesse caso, o tiro foi disparado por um agente da Patrulha da Fronteira, e não pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos).
Imagens capturadas por testemunhas contradisseram parte da versão inicial dos acontecimentos apresentada pelas autoridades e desencadearam investigações e questionamentos sobre a transparência do uso da força por agências federais.
Em março de 2025, Rubén Ray Martínez, um cidadão americano de 23 anos, morreu após ser baleado durante uma operação da Homeland Security Investigations (HSI), uma divisão do Departamento de Segurança Interna (DHS). A operação permaneceu praticamente desconhecida até que documentos foram divulgados meses depois por meio de um processo judicial baseado na Lei de Liberdade de Informação.
As autoridades alegaram que Martinez atropelou intencionalmente um agente federal, mas sua família afirmou que investigadores estaduais os informaram que as imagens de vídeo do incidente contradiziam essa versão. Posteriormente, membros democratas do Congresso exigiram uma investigação independente.
Além das mortes causadas por agentes de imigração, a intensificação das operações imigratórias também foi associada a outras fatalidades. Entre elas, a de Jaime Alanís, um trabalhador rural mexicano que morreu após cair do telhado de uma estufa enquanto tentava se esconder durante uma batida na Califórnia.
Há também o caso de Roberto Carlos Montoya Valdez, um guatemalteco que morreu atropelado ao atravessar uma rodovia durante uma operação de imigração, e o de Josué Castro Rivera, um hondurenho que morreu em circunstâncias semelhantes na Virgínia.