Almoço com Leão XIV. Diferentes, mas famintos por justiça

Foto: Vatican News

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14 Julho 2026

Mais ao fundo, uma criança de traços sul-americanos colocou seu bicho de pelúcia sobre a toalha branca. Diante dela, uma mãe africana embala seu bebê enquanto aguarda o almoço, sob a sombra das árvores do Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo. Entre as duas longas mesas de almoço — cuidadosamente decoradas com flores e plantas — encontra-se uma mesa redonda para doze pessoas, com um lugar vazio reservado para Leão XIV. Já estão sentados Irene, que chegou grávida a Lampedusa vinda da República Democrática do Congo e seus dois filhos; e Isabel, do Peru, uma estudante refugiada que recebeu apoio em Roma do Centro Astalli.

A informação é de Agnese Palmucci, publicada por Avvenire, 12-07-2026. A tradução de Luisa Rabolini.

Há também Kondé, um jovem que fugiu da Guiné Equatorial e que, há apenas duas semanas, obteve seu diploma de ajudante de cozinha justamente aqui, no Centro de alta formação do Borgo Laudato Si’. À mesa do Papa — que está passando aqui um período de descanso — há também lugar para outros dois homens, um ucraniano e um italiano, assistidos por centros da Cáritas de duas paróquias das periferias romanas. Um almoço que é uma verdadeira "ponte" de esperança entre culturas e origens, um símbolo da possibilidade de construir — apesar das diversidades — "um mundo gentil e melhor do que este, tantas vezes dilacerado pela violência, pelo ódio e pela discriminação", disse o Papa ao cumprimentar os convidados antes do início da refeição.

Duzentas pessoas em situação de vulnerabilidade, entre as quais 35 crianças, foram recebidas ontem no Borgo Laudato Si’ para a iniciativa "Almoço com o Papa"; o evento começou com uma Missa com o rito pelo Cuidado com a Criação e terminou com um almoço compartilhado com o Pontífice ao longo das alamedas arborizadas dos Jardins pontifícios. "Não venho com um discurso, mas com muita fome", brincou Prevost. "Fome de justiça, fome de caridade autêntica, fome de uma Igreja que saiba realmente abrir suas portas, acolher e receber a todos, onde exista amor para todos e ninguém seja inimigo, e onde todos saibamos viver a reconciliação, o perdão e a paz." Poucos dias após sua viagem a Lampedusa — onde instou a Europa a promover leis que protejam a dignidade humana —, o Papa fez novamente um apelo à hospitalidade a partir das Vilas Pontifícias.

A "vocação" do Borgo Laudato Si’, como explicado pelo Cardeal Fabio Baggio, Diretor-Geral do Centro de Estudos Superiores do Borgo, antes das palavras do Pontífice, é ser uma "casa onde todos possam se sentir reconhecidos". Um lugar — acrescentou o cardeal, recentemente nomeado pelo Papa como pró-prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral — que "deseja ser um pequeno sinal de esperança", lembrando ao mundo que "ninguém é supérfluo aos olhos de Deus". Esta edição do almoço com o Papa — realizado pela primeira vez no ano passado, em 17 de agosto — nasce da colaboração entre o Centro de Alta Formação, o Dicastério para a Caridade e a Diocese de Roma, envolvendo grupos e associações eclesiais empenhadas localmente na assistência dos mais necessitados. Entre elas estão a Cáritas diocesana, a ACLI, o Centro Astalli e a Comunidade de Sant’Egidio.

Os Jardins Pontifícios oferecem o cenário ideal para vivenciar "como o cuidado com a criação e a promoção da dignidade humana caminham juntos", disse o Cardeal Baldo Reina, Vigário da Diocese de Roma, que destacou o compromisso diário de muitos trabalhadores, paróquias e associações "que não temem empenhar suas energias para ir ao encontro das pessoas, especialmente as mais vulneráveis, onde elas vivem". Dom Luis Marín de San Martín, prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, também falou, reiterando a importância da iniciativa, porque "ouvir o grito daqueles que sofrem e aproximar-se de suas feridas significa permanecer fiel ao Evangelho e participar da missão de Cristo". À mesa com o Papa, entre pratos fumegantes de massa à amatriciana, vitela assada e morangos com creme, compartilharam-se histórias de sofrimento e renascimento.

Mães sozinhas, migrantes, idosos carentes, jovens com deficiência e pessoas em situação de rua. Cristãos e muçulmanos. "Vocês sabem muito bem que um dos títulos do Papa é 'Pontífice' — um construtor de pontes", continuou Leão XIV, sorrindo. "E hoje, nós também gostaríamos de construir uma ponte com todos vocês, com suas famílias e com a sociedade na qual desejamos viver." Ele aproveitou a oportunidade para pedir, mais uma vez, justiça e igualdade: "Queremos viver onde as causas da pobreza possam ser eliminadas, onde as causas da injustiça que ainda existem em nosso mundo possam ser eliminadas. Essa é a Igreja que queremos ser".

Por fim, agradeceu a todos que tornaram possível aquele almoço "esplêndido", concluindo — em meio ao som das cigarras e aos aromas da comida servida, "quando estamos juntos, quando vivemos esse espírito de encontro, todos nós ao redor da mesa, a única mesa onde Jesus também está presente conosco, estamos realmente construindo um mundo diferente". As últimas palavras do Pontífice foram dirigidas às famílias e a "todos aqueles que enfrentam dificuldades ou sofrimentos, para que também eles possam encontrar paz, perdão e reconciliação". Ao final do almoço, Irene ainda está tomada pela emoção e mal consegue falar. Chegou à Itália vinda de Lima com seus três filhos para fugir da pobreza. "Passar um tempo ao lado do Papa foi uma bênção; conversamos sobre o Peru e a culinária peruana, já que ele passou muitos anos lá em missão", conta a jovem. "Ele está muito feliz em visitar o país neste outono, embora ainda não conheça os detalhes da viagem."

Kondé, por sua vez, está usando um boné da Roma e não consegue parar quieto, como se sentisse necessidade de compartilhar o que aconteceu nas horas anteriores. Quando menciona o Papa, ele pronuncia a palavra com o acento tônico na vogal final: Papá. "Almocei ao lado dele, conversei com ele, falei bastante", repete o jovem muçulmano de 25 anos, que já domina o italiano, com a voz embargada pela emoção. "Contei a ele como cheguei a Lampedusa em um barco de migrantes em 2024, como perdi meu pai e que, para mim, todos os homens são iguais." Ele sonha em se tornar um chef, mas, enquanto isso, tem uma entrevista na segunda-feira para uma vaga de eletricista. "A Itália me acolheu; gosto daqui e aprendi muito no Borgo Laudato Si’. Gostaria de ficar."

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