Os lefebvristas prosseguem com as ordenações episcopais: "Para nós, as sanções de Roma são nulas e sem efeito"

Santa Sé. (Foto: Yevhenii Deshko/Unplash)

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01 Julho 2026

A celebração, que começou às 9h, terminará com o rito de consagração episcopal, que automaticamente desencadeará a excomunhão latae sententiae.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Repubblica, 01-07-2026.

Os lefebvristas procederam esta manhã com a ordenação de quatro novos bispos sem mandato papal — e apesar de um apelo final publicado ontem por Leão XIV — o que acarreta automaticamente a excomunhão e prenuncia um cisma.

Consagração na tenda

Em uma tenda armada no gramado ao lado do seminário de Écone, sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X – este é o seu nome oficial – fundada por D. Marcel Lefebvre (1915-1991), a celebração começou esta manhã às 9h. A celebração está sendo realizada pelos dois últimos bispos ainda vivos dos quatro que foram ordenados em 30 de junho de 1988 por Lefebvre – que, por sua vez, incorreu em excomunhão – a saber, D. Alfonso de Gallareta, celebrante, e D. Bernard Fellay, concelebrante.

Os quatro bispos

Quatro sacerdotes lefebvrianos foram consagrados bispos: o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. Um a um, eles expressaram seu compromisso e fizeram um juramento (“Que Deus e estes santos Evangelhos me ajudem”).

Acuso a Igreja do Concílio

Mesmo antes da missa, no início da celebração, foi escolhido um breve discurso escrito pelo Superior Geral, Padre Davide Pagliarani, substituindo efetivamente o mandato apostólico normalmente utilizado nas ordenações episcopais. No discurso, o chefe dos lefebvrianos fala de uma "circunstância completamente excepcional" que motiva a ordenação episcopal: "Desde o Concílio Vaticano II até hoje, as autoridades da Igreja têm manifestado uma atitude contrária à fé e agem contrariamente à sagrada tradição", escreveu Pagliarani, "já não toleram a sã doutrina, mas, afastando-se da verdade, voltam-se para as fábulas, como escreve São Paulo, consideramos nosso dever, perante a Igreja e as almas, proceder à consagração de bispos fiéis à sã tradição e ao magistério constante da Igreja".

O ato, segundo o superior lefebvriano, é um "dever gravíssimo de transmitir a graça do episcopado a esses sacerdotes para que eles, por sua vez, possam transmitir a graça do sacerdócio". O texto conclui da seguinte forma: "Acreditamos que quaisquer penalidades ou censuras contra este ato não têm valor algum."

Hoje é a festa do preciosíssimo sangue de Jesus Cristo, abolida pela Igreja após o Concílio Vaticano II, mas ainda em voga entre os tradicionalistas.

Ordens ilegais, mas válidas

Segundo o direito canônico, as ordenações episcopais de hoje são ilícitas, mas válidas: ilícitas porque ocorrem sem a necessária aprovação papal, mas, como os dois bispos celebrantes possuem ordens sagradas, as ordenações episcopais que administram são, não obstante, válidas.

Excomunhão automática

Quanto à excomunhão, ela ocorre automaticamente com a própria ordenação episcopal: trata-se, na verdade, de uma excomunhão latae sententiae (literalmente, "de uma sentença já proferida"), imposta concretamente pelo simples fato de ter cometido um crime canônico, e não de uma excomunhão ferendae sententiae (literalmente, "de uma sentença a ser imposta"), que exige a emissão de uma sentença formal. Isso não impede que a Santa Sé, previsivelmente amanhã, por meio do Dicastério para a Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício, presidido pelo cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, publique um decreto especificando a aplicação da excomunhão (apenas aos bispos, a todos os bispos e membros da fraternidade sacerdotal, ou também aos fiéis lefebvrianos?). 

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