Bispos pedem proteção para haitianos enquanto o debate sobre o TPS se intensifica

Foto: Logan Abassi | ONU

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27 Junho 2026

À medida que os Estados Unidos se aproximam do 250º aniversário de sua fundação, líderes católicos de Ohio e da Flórida divulgaram apelos distintos pedindo a manutenção da proteção aos migrantes haitianos que vivem legalmente no país sob o Status de Proteção Temporária (Temporary Protected Status – TPS). Embora apresentados em contextos diferentes, ambos os pronunciamentos sustentam que o fim dessas proteções teria graves consequências humanitárias, sociais e econômicas.

A informação é de Camillo Barone, publicada por NCR, 25-06-2026. 

A declaração dos bispos católicos de Ohio, intitulada "América aos 250 anos: Liberdade e o Bem Comum", relaciona o debate sobre imigração a uma reflexão mais ampla sobre os princípios fundadores da nação. Os bispos afirmam que o aniversário é uma oportunidade para considerar "as promessas de 'vida, liberdade e busca da felicidade, e de adorar a Deus livre da intervenção do governo'" contidas nos documentos fundadores do país. Segundo eles, esses princípios não apenas conferem direitos, mas também impõem responsabilidades, especialmente em relação às pessoas vulneráveis que buscam segurança e estabilidade.

Nesse contexto, os bispos manifestaram preocupação especial com os haitianos que vivem em Ohio e em outras partes dos Estados Unidos, cujo status legal poderá ser afetado por mudanças nas políticas do TPS. Eles observaram que muitas regiões do Haiti continuam marcadas pela violência e pela instabilidade, tornando um eventual retorno potencialmente perigoso.

"Não encontramos justificativa moral para encerrar o Status de Proteção Temporária dessas pessoas sem oferecer uma alternativa para regularizar sua situação migratória", escreveram os bispos.

Citando as condições existentes no Haiti e relatos provenientes de diversas fontes, afirmaram que "não é seguro retornar, nem razoável esperar que as famílias não procurem desesperadamente outra alternativa".

Os bispos descreveram as famílias haitianas em Ohio como membros ativos das comunidades locais, que trabalham, criam seus filhos e participam da vida religiosa. Advertiram que muitas delas vivem hoje em meio à incerteza, aguardando decisões legais e políticas que poderão definir seu futuro nos Estados Unidos.

Segundo o documento, muitos pais poderão enfrentar escolhas dolorosas entre permanecer separados de seus filhos ou levá-los de volta para uma situação incerta no Haiti. Os bispos classificam essa perspectiva como "um fracasso moral e social que se desenrola diante de nossos olhos".

Ao mesmo tempo, rejeitam a alegação de que migrantes e refugiados não contribuem para a sociedade, apontando, ao contrário, para a experiência das paróquias e comunidades católicas de Ohio.

"As alegações de que aqueles que buscam refúgio em nosso país não desejam contribuir para o bem comum simplesmente não encontram respaldo quando observamos aqueles que frequentam nossas paróquias ou as histórias de sucesso dos refugiados em Ohio", afirmaram. "Devemos fazer o possível para garantir que tanto os cidadãos quanto os recém-chegados possam prosperar em nossas comunidades."

Os bispos também abordaram a política migratória de forma mais ampla, enfatizando que o apoio aos migrantes não é incompatível com a segurança das fronteiras nem com a aplicação da lei. Eles reconheceram o direito e a responsabilidade do país de regular a imigração e manter a ordem pública. Pessoas que cometem crimes violentos, afirmaram, não devem esperar permanecer no país, e criminosos conhecidos não devem ser admitidos.

Entretanto, argumentaram que o atual sistema migratório é excessivamente complexo e frequentemente incapaz de oferecer decisões rápidas e previsíveis. Na visão dos bispos, a ausência de caminhos claros para a regularização e de garantias de devido processo legal mantém muitas pessoas presas à incerteza, apesar de seus esforços para cumprir a legislação.

"Uma nação confiante", escreveram, "deve procurar integrar aqueles que se esforçam para trabalhar e criar suas famílias em paz."

Mensagem semelhante foi publicada pelo arcebispo de Miami, Thomas Wenski, cuja arquidiocese atende uma das maiores comunidades haitianas dos Estados Unidos. Escrevendo após a aprovação, pela Câmara dos Representantes, de um projeto de lei que estenderia por mais três anos a proteção do TPS para haitianos, Wenski pediu que o Senado aprovasse a medida.

O arcebispo descreveu o Haiti como uma nação que continua enfrentando crises persistentes mais de uma década após o devastador terremoto de 2010. Ele citou a violência generalizada das gangues, os sequestros, surtos de doenças, a insegurança alimentar e a fragilidade das instituições públicas como evidências de que o país permanece inseguro para um retorno em larga escala.

Segundo Wenski, o TPS está prestes a expirar porque o governo concluiu, de forma que ele considera "inexplicável", que as condições no Haiti melhoraram o suficiente para permitir o retorno dos haitianos.

O arcebispo afirmou que obrigar haitianos a regressarem nas atuais circunstâncias seria "um ato de crueldade extrema".

"Fazer isso apenas agravaria a crise humanitária em curso no Haiti", declarou.

Assim como os bispos de Ohio, Wenski destacou a contribuição dos migrantes haitianos para a sociedade norte-americana. Segundo ele, os beneficiários do TPS tornaram-se membros estabelecidos das comunidades em todo o país e participam ativamente da força de trabalho.

"Os haitianos neste país não vivem de assistência pública; não são um peso para o Estado. São trabalhadores dedicados que ocupam postos de trabalho que, sem eles, permaneceriam vagos. A expulsão repentina dos beneficiários haitianos do TPS teria consequências devastadoras para a economia de nossa nação", escreveu.

O arcebispo destacou especialmente as instituições de saúde, incluindo casas de repouso, onde trabalhadores haitianos desempenham um papel importante. Também mencionou comunidades como Springfield, em Ohio, onde migrantes haitianos foram alvo de falsas acusações durante a campanha presidencial de 2024. Segundo Wenski, líderes empresariais locais e autoridades eleitas de ambos os partidos reconheceram que a perda desses trabalhadores prejudicaria significativamente as economias locais.

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