Alvo da PF, banco de Edir Macedo deve quase R$ 2 milhões a trabalhadores

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26 Junho 2026

Fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo identificou “sonegação sistemática”, jornadas excessivas e outras irregularidades trabalhistas contra funcionários do Banco Digimais entre 2019 e 2025.

A reportagem é de Jeniffer Mendonça, publicada por Réporter Brasil, 25-06-2026.

Alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de fraude financeira, o Banco Digimais deve quase R$ 2 milhões em encargos trabalhistas aos funcionários. A instituição é ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário da Record TV, organizações historicamente associadas ao partido Republicanos.

Ao todo, o banco deve R$ 1,94 milhão por infrações trabalhistas ocorridas entre dezembro de 2019 e janeiro de 2025, segundo informações de fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) obtidas pela Repórter Brasil. Entre as irregularidades estão o não pagamento de horas extras, 13º salário e FGTS, a supressão de intervalos para descanso durante e entre jornadas, o descumprimento de folgas e a imposição de jornadas excessivas. O banco recorre das autuações.

A apuração iniciada em 2024 analisou mais de 676 mil registros de jornada, folhas de pagamento, banco de horas, arquivos digitais dos dois CNPJs do banco e visita à sede, no bairro Cidade Monções, área nobre da capital paulista.

Na época, o Digimais contava com 389 funcionários ativos, mas as infrações também se estendem a ex-trabalhadores, somando cerca de 500 pessoas afetadas.

A inspeção identificou mais de 26,1 mil irregularidades nas marcações de ponto dos trabalhadores, das quais 13,9 mil são por excesso de jornada.

“Houve uma sonegação sistemática de verbas trabalhistas”, afirma Livia Ferreira, auditora-fiscal e coordenadora do projeto de combate à discriminação e ao assédio da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo.

Ela aponta que foram constatados indícios de fraude no banco de horas para maquiar a jornada excessiva, que superava dez horas diárias e englobava casos de funcionários submetidos a 16 dias consecutivos de trabalho sem descanso. “A gente recebeu denúncia de que os trabalhadores estavam sendo intimidados para poder aderir a esse banco de horas”, afirma.

Também foram identificadas infrações no trabalho aos domingos, com descumprimento de escala de revezamento. Em um dos casos, o trabalhador atuou por 15 domingos consecutivos.

Além disso, a inspeção constatou que não havia Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, nem treinamentos específicos, medidas adequadas para prevenção desses casos e canais efetivos de denúncia.

A Repórter Brasil tenta contato com o Banco Digimais desde quarta-feira (24), por telefone, e-mail e mensagens de aplicativo, para comentar as infrações trabalhistas, mas não houve retorno até a publicação da reportagem.

Operação MIragem investiga suspeitas de fraudes contra sistema financeiro

Na terça-feira (23), o Banco Digimais foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostos crimes contra o sistema financeiro nacional.

A Justiça Federal em São Paulo também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, as investigações indicam que os envolvidos no esquema teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros para ocultar a real situação financeira da instituição. O modus operandi seria semelhante ao do Banco Master, a partir da emissão de carteiras fraudulentas e supervalorização de ativos.

Desde 2020, a instituição é totalmente controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo, dono da Record TV e da Igreja Universal do Reino de Deus, segundo informações da Junta Comercial do Estado de São Paulo, confirmadas também por meio da plataforma Cruzagrafos, iniciativa da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) em parceria com o Brasil.IO.

Em nota, a Universal afirmou que o bispo Edir Macedo “não integra a administração executiva nem participa da gestão operacional, financeira ou contábil da instituição” e que tem “plena confiança na lisura das apurações conduzidas pelas autoridades competentes”.

Macedo declarou em pregação na quarta-feira (24) que está tranquilo e “em paz com Deus”, segundo registro do jornal Folha de S.Paulo.

Já o deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), bispo licenciado da Universal e presidente nacional do Republicanos, disse à CNN que “o partido não tem nada a ver com isso”.

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