17 Junho 2026
Três jovens pesquisadores, Roksana Keyvan, Rosa Soto e Toyosi Olatayo, que trabalham no programa humanitário WASH – água, saneamento e higiene da Ajuda da Igreja Norueguesa – mapearam, no seminário online “Quebrando o Tabu do Sangue”, realizado no dia 4 de junho, o que denominaram de geografia da menstruação: a realidade de que as mudanças climáticas, a escassez de água e a infraestrutura inadequada agravam a pobreza menstrual de diferentes modos, dependendo onde a menina nasce.
A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.
Este ano, segundo dados do Banco Mundial e do UNICEF, algo como 2,1 bilhões de meninas e mulheres menstruam no mundo, mas mais de 500 milhões não têm acesso a produtos menstruais adequados ou instalações de higiene, como ausência de água corrente, ausência de lixeiras em banheiros. Em muitos países, uma em cada quatro meninas falta à escola durante o período menstrual.
Michele Vecchi, especialista da WASH, mencionou que em muitas comunidades, mulheres e meninas que não têm saneamento básico em casa são forçadas a encontrar locais escondidos para lidar com a menstruação, expondo-se a assédio e violência. Em contextos onde a igreja é a instituição de maior confiança, seu silêncio sobre menstruação não é neutralidade, é cumplicidade, disse a nigeriana Olatayo.
“Para algo tão universal, tão natural, tão fundamental para a continuidade da vida humana, o silêncio sobre a menstruação não é apenas inexplicável, mas também indesculpável”, aportou o diretor do programa Vida, Justiça e Paz do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor Dr. Kenneth Mtata. Ele rastreou o estigma até os códigos de pureza em Levítico, mal aplicados em diversas tradições ao longo dos séculos, antes de apontar para a cura, por Cristo, de uma mulher que sangrava havia 12 anos.
O Seminário, organizado pelo CMI, aconteceu logo após o Dia Internacional da Higiene Menstrual, lembrado no dia 28 de maio.
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