10 Junho 2026
Ontem chegou a ordem de evacuação dos bairros que estavam fechados até agora foram poupados. Um rio de carros invade as estradas que levam ao norte.
A informação é de Paolo Brera, publicada por La Repubblica, 10-06-2026.
George não conseguia acreditar: "O quê, nós também? Sério?" Marina interrompeu a aula: "Gente, preciso correr, eles estão evacuando nós, cristãos, também." Todos para fora de Tiro, ordenou o exército israelense. As Forças de Defesa de Israel (IDF) registraram o que muitos juristas e grupos de direitos humanos consideram um crime de guerra: jogar pessoas na rua com suas vidas e pertences para se protegerem das bombas que em breve serão lançadas sobre uma cidade fenícia, Patrimônio Mundial da Unesco, fundada dois mil anos antes de Roma. "Preocupados com a sua segurança, pedimos que evacuem imediatamente suas casas e se desloquem para o norte do rio Zahrani", diz o alerta urgente para os moradores, incluindo o bairro cristão, os campos de refugiados e as aldeias vizinhas.
"Nos sentimos como se estivéssemos em uma colmeia de abelhas loucas", diz Marina Haddad, uma professora de 45 anos que fugiu de carro com o marido e o filho de 16 anos. De Qasmiye, a vila nos arredores de Tiro onde fomos interceptar o êxodo, é possível ver a fumaça sobre a cidade. O avião, sobrevoando, ameaça novas ondas. "Eu tinha começado a aula remotamente, meu marido me fez sinal para desligar o microfone: 'Toda Tiro está sendo evacuada', diz ele. Até mesmo o bairro cristão. Me despedi dos alunos, desliguei o computador e acordei meu filho: vamos escapar." O carro pequeno, os remédios do marido esquecidos e, bem, "a gente pega em Beirute, mas esquecemos as fotos." Não foi fácil, ali mesmo, "decidir o que era realmente importante. Arrumamos nossas roupas e objetos de valor e fomos embora. Só o vizinho ficou no prédio: ele mandou a esposa e os filhos para um lugar seguro, mas está hospedado na igreja com o bispo."
"Permanecemos em Tiro, entre o nosso povo, como fizeram nossos pais e avós", diz o bispo católico maronita Dom George Iskandar, "assim como o povo tenaz do Sul permanece em sua terra e em suas aldeias". Alguém trouxe um colchão para a igreja: "Santa Maria del Mare, proteja-nos". Há uma semana, as IDF pediram ao bairro cristão que expulsasse os militantes do Hezbollah que alegavam ter identificado, ameaçando com "operações militares". O núncio apostólico, monsenhor Paolo Borgia, visitou Tiro. Ele "tranquilizou" os moradores: "Trago-lhes o amor do Papa; vocês são promotores da paz e construtores da coexistência". Essa palavra: "coexistência", e não a expulsão dos muçulmanos já "evacuados" e refugiados nos becos e na praia da antiga cidade cristã.
"Nenhum de nós achava que eles nos expulsariam. Quando o núncio veio falar com o bispo, estávamos convencidos de que o bairro jamais seria atingido. Em vez disso, esta manhã liguei para meu pai, minha mãe e minha irmã", diz George Salem, um engenheiro de 56 anos, "e disse a eles para irem embora imediatamente. Vai terminar como terminou com as aldeias; voltaremos no fim da guerra com a esperança de encontrar nossas casas ainda de pé."
Pelo menos oito mortos e dezenas de feridos, segundo relatos oficiais, após um dia de tensão e bombardeios israelenses que atingiram outros bairros de Tiro, já em grande parte esvaziados, mas não o suficiente para evitar vítimas, como moradores de habitações populares. Em Qasmiye, uma procissão de carros segue para o norte em direção à ponte Litani: carros pequenos lotados de vidas e pertences, colchões voando nos tetos. "Viva a resistência", dizem Hassan e Khaled, de 25 e 22 anos, "agora vamos para Sidon e depois veremos". "Mais uma vez, infelizmente", diz Ghazwa, recém-chegada ao campo de refugiados palestinos nos arredores da vila, "somos sírios, refugiados há 15 anos, mas também tivemos que deixar as habitações populares em Tiro. A partir de hoje à noite, dormiremos na mesquita. Meu marido não trabalha, temos cinco filhos: o que mais poderíamos fazer?"
O avanço, as bombas. Espalha-se a notícia de que tanques das IDF estão se aproximando de Tiro. Um pequeno comboio de veículos com vidros fumê passa na direção oposta ao êxodo. Ao redor, vilarejos já evacuados, cidades em luto suspensas no calor e no silêncio. Aqui e ali, um prédio desabado, um telhado ruído. A nove quilômetros de distância, no promontório com vista para o mar, no bairro cristão de Tiro, fica a sede da MSF. "O sul está destruído, uma zona vermelha devido à concentração de refugiados. Está esvaziado", diz Matteo, o especialista em logística italiano. "Só restam abrigos e campos de refugiados, porque as pessoas não têm para onde ir. Hoje, todas as lojas e cafés estão fechados; vamos ver se é o mesmo ciclo vicioso de sempre ou se é o fim também para Tiro."
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