Canção Breve. Eugénio de Andrade na oração inter-religiosa desta semana

Foto: Unsplash/Pawel Czerwinski

06 Junho 2026

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações, músicas e versos de diferentes espiritualidades e religiões, mergulhamos no Mistério que são a absoluta transcendência e a absoluta proximidade.

Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

 

Canção Breve

Tudo me prende à terra onde me dei:
o rio subitamente adolescente,
a luz tropeçando nas esquinas,
as areias onde ardi impaciente.

Tudo me prende do mesmo triste amor
que há em saber que a vida pouco dura,
e nela ponho a esperança ou o calor
de uns dedos com restos de ternura.

Dizem que há outros céus e outras luas
e outros olhos densos de alegria,
mas eu sou destas casas, destas ruas,
deste amor a escorrer melancolia.

 

(Fonte: Eugénio de Andrade. Poesia. Porto: Assírio & Alvim, 2017, p. 70.) 

Eugénio de Andrade | Foto: Instituto Camões

 

Eugénio de Andrade nasceu na freguesia de Póvoa de Atalaia, Portugal,  em 19 de janeiro de 1923 e faleceu em 13 de junho de 2005 em Porto. Foi um poeta de grande prestígio em Portugal. Na visão de José Tolentino Mendonça, ele foi um autor de grande profundidade e diversidade. A sua vida resumia-se em "ler e falar de poesia". É alguém que conseguiu tocar os meandros do real com seu revolucionário modo de lidar com as palavras. Teve um grande prestígio, também internacional, apesar de sua aversão ao burburinho social e ao percurso rotineiro mundano.

 

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