Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações, músicas e versos de diferentes espiritualidades e religiões, mergulhamos no Mistério que são a absoluta transcendência e a absoluta proximidade.
Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Poema
Saber de cor o silêncio
diamante e/ou espelho
o silêncio além
do branco.
Saber seu peso
seu signo
- habitar sua estrela
impiedosa.
Saber seu centro: vazio
esplendor além
da vida
e vida além
da memória.
Saber de cor o silêncio
- e profana-lo, dissolvê-lo
em palavras.
Fonte: Orides Fontela. Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015, p. 170.
Retrato de Orides Fontela por Fritz Nagib a pedido de Augusto Massi para uma coleção de poetas contemporâneos
Orides Fontela, poeta e filósofa, vem hoje reconhecida como um dos grandes nomes da poesia brasileira na segunda metade do século XX. Ela nasceu em São João da Boa Vista (SP) em 24 de abril de 1940, e morreu em Campos de Jordão, em 02 de novembro de 1998, aos 58 anos de idade. Dentre seus livros, destaca-se Alba, que foi prefaciado por Antonio Candido. A poeta é a homenageada da FLIP de 2026.