Bertomeu e os cardeais Castillo e Barreto ajoelham-se diante das vítimas do Sodalício no Peru

Foto: @Epicentro_TV/RD

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25 Mai 2026

"Pedimos perdão a Deus, a vocês e à Igreja, porque nem sempre estivemos à altura das expectativas. Lamentamos muito, mas, por favor, ajudem-nos a restaurar nossa Igreja, pois queremos seguir em frente, especialmente agora com o Papa peruano. Queremos trilhar um caminho de reconciliação e verdade aqui no Peru", expressou o enviado de Leão XIV.

A informação é publicada por Religión Digital, 23-05-2026.

O padre espanhol Jordi Bertormeu, enviado do Vaticano encarregado de investigar e reparar os abusos cometidos pelo extinto Sodalício de Vida Cristã (SVC), pediu desculpas neste sábado às vítimas e comunidades afetadas por essa organização religiosa.

"Hoje estamos aqui para pedir seu perdão em nome da Igreja. Viemos aqui, deveríamos ter vindo há 20 anos, e estamos verdadeiramente arrependidos, por favor, nos perdoem", disse Bertomeu na igreja de Catacaos, distrito no norte do Peru, onde a entidade fundada pelo leigo peruano Luis Fernando Figari cometeu diversos tipos de abusos.

Missa com as vítimas

Bertomeu, nomeado para esta missão pelo Papa Francisco e ratificado por Leão XIV, oficiou uma missa juntamente com os cardeais peruanos Carlos Castillo e Pedro Barreto, na companhia das vítimas da organização religiosa, e que também contou com a presença de representantes políticos e da sociedade civil.

"Pedimos perdão a Deus, a vocês, à Igreja, porque nem sempre estivemos à altura da tarefa. Lamentamos muito, mas, por favor, ajudem-nos a restaurar nossa Igreja, porque queremos caminhar, especialmente agora com o Papa peruano, queremos trilhar um caminho de reconciliação e verdade aqui no Peru", disse o enviado de Leão XIV.

Imediatamente após suas palavras, os cardeais e outras autoridades eclesiásticas desceram do altar e se ajoelharam diante das vítimas como símbolo de perdão, por terem sido privadas de cerca de 10 mil hectares de suas terras, entre outros abusos.

Durante sua homilia, o Cardeal Castillo agradeceu à comunidade camponesa de Catacaos, na região norte de Piura, pelo convite para a realização deste encontro, chamando-o de "um sinal de esperança", e reiterou o pedido de desculpas da Igreja às vítimas. Ele afirmou que a Igreja não esquece "a experiência horrível" que elas sofreram e assegurou que ela não deve ser esquecida.

No fim da missa, a congressista progressista Ruth Luque destacou a resiliência e a coragem do povo de Catacaos e afirmou que esse indulto da Igreja é "extremamente importante para a reparação simbólica", embora tenha indicado que ainda existe uma dívida do Estado para com as vítimas, que por vezes continuam a sofrer ameaças e assédio.

Bertomeu agradeceu aos jornalistas e às organizações da sociedade civil que apoiaram as vítimas e lembrou o Papa Francisco, que decidiu investigar os abusos do Sodalício.

Esta é a primeira vez que dois cardeais e um enviado do Vaticano vêm a Catacaos para ouvir diretamente as famílias afetadas, e este encontro faz parte das ações simbólicas promovidas após a Comissão de Escuta às vítimas e pessoas afetadas pelo Sodalício, que foi iniciada pelo Papa Francisco e continuada por Leão XIV.

Os abusos no Sodalício foram expostos pela primeira vez em 2015 pelos jornalistas peruanos Pedro Salinas e Paola Ugaz, no livro Meio monges, meio soldados, onde revelaram os testemunhos de vítimas de abusos físicos, psicológicos, sexuais, econômicos e patrimoniais.

O Vaticano, que já recebeu mais de cem denúncias, ordenou a dissolução do Sodalício e de outras organizações afiliadas, também fundadas por Figari e descritas pela Santa Sé como sectárias.

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