O Papa Francisco manifestou seu apoio ao Cardeal Fernández, enfatizando que "o único Mediador da salvação é Jesus Cristo"

Foto: Vatican Media

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14 Mai 2026

"A Igreja, ciente de que o único Mediador do mistério da salvação é Jesus Cristo, reconhece que a figura de sua Mãe Santíssima, longe de obscurecer este mistério, o ilumina; pois foi a Virgem Maria que, por desígnio divino, com obediência e fé, cooperou de modo singular na obra do Salvador", declarou o Papa em uma catequese dedicada a Maria na audiência geral.

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 13-05-2026.

A catequese desta quarta-feira, 13 de maio, festa de Nossa Senhora de Fátima, que o Papa quis dedicar ao seu predecessor, Karol Wojtyla, em memória, como salientou no início desta audiência geral, de que "há 45 anos, precisamente durante a audiência geral aqui na Praça São Pedro, São João Paulo II sofreu o atentado, que não foi fatal graças à proteção da Virgem, como ele próprio confirmou de muitas maneiras."

A Virgem Maria, modelo da Igreja” foi o título da catequese papal, na qual ele recordou que o Vaticano II quis dedicar o último capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja à Virgem Maria, ligada ao tema das catequeses que ele vem desenvolvendo desde o início deste ano, dedicadas a relembrar os principais documentos conciliares, e nas quais, como ele destacou, “pode-se reconhecer tanto o modelo, como membro excelente, quanto a mãe de toda a comunidade eclesial”.

“O Concílio deixou-nos um ensinamento claro sobre o lugar reservado à Virgem Maria na obra da Redenção (cf. Lumen Gentium, 60-62). Recordou-nos que o único Mediador da salvação é Jesus Cristo (cf. 1 Tm 2,5-6) e que a sua Mãe Santíssima ‘de modo nenhum obscurece ou diminui esta mediação única de Cristo, mas antes serve para demonstrar o seu poder’ (LG, 60)”, sublinhou o Papa, apoiando assim a nota doutrinal sobre os títulos marianos, aprovada por ele próprio e publicada em novembro de 2025 pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, presidido pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández, que enfrentou fortes críticas dos setores mais tradicionalistas.

Em outro momento da catequese, o Papa exortou os fiéis e peregrinos presentes a se deixarem "desafiar por um modelo tão sublime como Maria, Virgem e Mãe, e a pedirem a ela que nos ajude, por sua intercessão, a responder a tudo o que nos é pedido por meio de seu exemplo: Vivo minha pertença à Igreja com fé humilde e ativa? Reconheço a comunidade da aliança que Deus me deu para responder ao seu infinito amor? Olho para Maria como modelo, membro e mãe exemplar da Igreja, e peço a ela que me ajude a ser um discípulo fiel de seu Filho?"

Durante as saudações em diferentes línguas, o Papa confiou "ao Imaculado Coração de Maria o clamor pela paz e pela concórdia que surge de todas as partes do mundo, especialmente dos povos afligidos pela guerra".

Audiência Geral

Caros irmãos e irmãs,

Hoje, 13 de maio, celebramos a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Fátima. Nesta data, há 45 anos, precisamente durante a audiência geral aqui na Praça de São Pedro, São João Paulo II sobreviveu a uma tentativa de assassinato, graças à proteção da Virgem Maria, como ele mesmo afirmou de muitas maneiras. Por isso, gostaria de dedicar a catequese de hoje, que tem como tema "A Virgem Maria, Modelo da Igreja", a este meu santo predecessor, cujo lema era "Totus Tuus" (Todo Teu).

O Concílio Vaticano II escolheu dedicar o capítulo final da Constituição Dogmática sobre a Igreja à Virgem Maria (cf. Lumen Gentium, 52-69). Ela é “proclamada como a membro excelsa e singular da Igreja e como o tipo e exemplo perfeito da Igreja na fé e na caridade” (n. 53). Essas palavras nos convidam a compreender como em Maria, que sob a ação do Espírito Santo acolheu e deu à luz o Filho de Deus encarnado, podemos reconhecer o modelo, a membro sublime e a mãe de toda a comunidade eclesial.

Ao deixar-se moldar pela obra da Graça, plenamente realizada nela, e ao receber o dom do Altíssimo com sua fé e amor virginal, Maria é o modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser: criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus, nascida em docilidade à ação do Espírito Santo. Além disso, como a crente por excelência, oferecendo-nos o exemplo perfeito de abertura incondicional ao mistério divino na comunhão do povo santo de Deus, Maria é uma excelente integrante da comunidade eclesial. Finalmente, ao dar à luz filhos no Filho, amados no Amado eterno que veio ao nosso encontro, Maria é a mãe de toda a Igreja, a quem a Igreja pode recorrer com confiança filial, certa de ser ouvida, protegida e amada.

A soma dessas características da Virgem Maria poderia ser expressa falando dela como o ícone feminino do Mistério. O termo "mulher" destaca a concretude histórica dessa jovem filha de Israel, a quem foi dada a extraordinária experiência de se tornar a mãe do Messias. A expressão "ícone" enfatiza que nela se realiza o duplo movimento de descida e ascensão: nela resplandecem tanto a escolha gratuita de Deus quanto o livre consentimento da fé n'Ele. Maria é, portanto, o ícone feminino do Mistério, isto é, do plano divino de salvação, oculto em uma época e plenamente revelado em Jesus Cristo.

O Concílio deixou-nos um ensinamento claro sobre o lugar reservado à Virgem Maria na obra da Redenção (cf. Lumen Gentium, 60-62). Recordou-nos que o único Mediador da salvação é Jesus Cristo (cf. 1 Tm 2,5-6) e que a sua Mãe Santíssima “de modo nenhum obscurece ou diminui esta mediação única de Cristo, mas antes serve para demonstrar o seu poder” (LG, 60). Ao mesmo tempo, “a Virgem Santíssima, predestinada desde toda a eternidade a ser Mãe de Deus juntamente com a Encarnação do Verbo […] cooperou de modo singular na obra do Salvador, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, para restaurar a vida sobrenatural das almas. Por isso, ela é nossa mãe na ordem da graça” (ibid., 61).

O mistério da Igreja também se reflete na Virgem Maria: nela, o povo de Deus encontra sua origem, seu modelo e sua pátria. Na Mãe do Senhor, a Igreja contempla seu próprio mistério, não só porque reencontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal para a qual é chamada, mas também e sobretudo porque reconhece nela seu próprio arquétipo, a figura ideal daquilo que é chamada a ser.

Como se pode ver, as reflexões sobre a Virgem Maria reunidas em Lumen Gentium ensinam-nos a amar a Igreja e a servir nela a realização do Reino de Deus que há de vir e que se concretizará plenamente em glória.

Permitamo-nos, então, ser desafiados por um modelo tão sublime como Maria, Virgem e Mãe, e peçamos-lhe que, por sua intercessão, nos ajude a responder a tudo o que nos é pedido através do seu exemplo: Vivo a minha pertença à Igreja com fé humilde e ativa? Reconheço a comunidade da aliança que Deus me deu para responder ao seu amor infinito? Recorro a Maria como modelo, membro e mãe exemplar da Igreja, e peço-lhe que me ajude a ser um discípulo fiel do seu Filho?

Irmãos e irmãs, que o Espírito Santo, que desceu sobre Maria e a quem invocamos com humildade e confiança, nos conceda a graça de viver plenamente estas maravilhosas realidades. E, tendo refletido sobre a Constituição Lumen Gentium, peçamos a Nossa Senhora que nos conceda este dom: que o amor pela Santa Madre Igreja cresça em todos nós. Amém!

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