12 Mai 2026
A Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Grupo de Reflexão em Comunicação (Grecom/CNBB) oferecem um subsídio para estudo e aprofundamento do tema do 60º Dia Mundial das Comunicações, a ser celebrado no domingo da Ascenção do Senhor, dia 17 de maio. A data tem como tema escolhido pelo Papa Leão XIV “Preservar vozes e rostos humanos”.
A reportagem é publicada por CNBB, 11-05-2026.
“Em um tempo em que os sistemas de inteligência artificial aprendem a falar como nós e a reproduzir expressões e sentimentos que até então pareciam exclusivamente humanos, a Igreja é convidada a se perguntar, com urgência e lucidez, o que significa, afinal, uma comunicação humanizada”, segundo Moisés Sbardelotto, coordenador do Grecom.
Esse chamado, segundo o doutor em Comunicação, não se limita à necessária crítica do avanço tecnológico, mas “convoca toda a Igreja a orientar a inovação digital a partir de critérios que brotam do Evangelho, capazes de promover a dignidade humana, o bem comum e a proteção da nossa casa comum”.
Apelo profético
Segundo a Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, o material “é um apelo profético e urgente ao discernimento constante, para que a aceleração tecnológica não silencie a nossa própria existência”.
“A cultura digital é uma poderosa aliada no anúncio do Evangelho. Acolhemos suas imensas possibilidades, desde que orientadas pelo compromisso com o próximo e pelos valores do Reino”.
Na apresentação do subsídio, a Comissão para a Comunicação da CNBB ressalta que somos convocados a ser “sinais proféticos de autenticidade em um mundo marcado por simulações e bolhas de fácil consenso e indignação, onde o pensamento crítico é enfraquecido e a possibilidade de escuta e diálogo é dizimada”.
“Nossa missão transcende a busca por engajamento vazio ou o mero alimento de algoritmos que isolam. Fomos chamados para construir pontes de unidade que reflitam o ‘Cristo Total’, que nos conectem e nos comprometam a samaritanear com a ‘carne sofrida do Cristo’ no rosto e na voz do povo e na vida ameaçada em nossa Casa Comum. Somente assim, reconhecendo o humano, a verdade do encontro e a integridade de toda a vida na Terra, seremos fiéis ao Evangelho na cultura digital”.
Pistas de aprofundamento
Os textos reunidos no material buscam oferecer pistas de aprofundamento sobre a presença e a atuação da Igreja na cultura contemporânea. A cada capítulo, a seu modo, aprofunda dimensões da mensagem papal, articulando reflexão teórica, análise crítica e perspectivas pastorais.
O conjunto de reflexões não pretende oferecer respostas prontas, mas provocar perguntas abertas, a fim de suscitar o diálogo e o debate, em prol de práticas pastorais conscientes do contexto digital e coerentes com o Evangelho, segundo explica Moisés Sbardelotto.
“Esperamos que a leitura destes textos possa favorecer uma ação eclesial ainda mais comprometida com a construção de uma cultura do encontro em que cada voz seja verdadeiramente escutada e em que cada rosto seja verdadeiramente reconhecido em sua dignidade”, afirmou.
Os textos tratam do significado do rosto e da voz humanos como expressões da dignidade da pessoa, da comunicação como caminho de unidade e comunhão, dos riscos de simulação das relações mediadas por tecnologias, da urgência da autenticidade na missão comunicativa, do papel do discernimento crítico diante da IA, da necessidade de cooperação na orientação da inovação digital e, por fim, da educação como caminho essencial para formar sujeitos capazes de presença consciente e responsável no ambiente digital. Cada capítulo, por sua vez, encerra com a seção “Para inspirar a ação”, que apresenta propostas de gestos concretos em sintonia com o tema abordado.
Os capítulos são assinados por Aline Amaro da Silva, Claudenir Módolo Alves, Irmã Joana T. Puntel, Janaína Gonçalves, Moisés Sbardelotto, Magali Cunha e Ricardo Alvarenga, membros do Grecom/CNBB, que articulam, em suas análises, contribuições acadêmicas e experiências pastorais.