Em Nápoles e Pompeia, o Papa reafirma seu empenho pela paz e não se curva a Trump

Papa Leão XIV | Foto: Vatican Media

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12 Mai 2026

A visita ocorre no aniversário de sua eleição para o papado. Leão XIV: "Não podemos nos resignar às imagens de morte que os noticiários nos apresentam todos os dias. Exatamente um ano atrás, quando me foi confiado o ministério de Sucessor de Pedro, era precisamente o dia de súplica à Virgem, esse belíssimo dia de súplica à Virgem do Santo Rosário de Pompeia! Portanto, eu tinha que vir aqui, para colocar meu serviço sob a proteção da Santíssima Virgem." Assim, o Papa Leão XIV, um ano após sua eleição em 8 de maio de 2025, visitou o santuário de Nossa Senhora de Pompeia, depois foi a Nápoles, onde se encontrou com o clero local e, em seguida, com o povo na Piazza del Plebiscito.

A reportagem é de Francesco Peloso, publicada por Domani, 09-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Dois temas centrais da visita à região: em primeiro lugar, a questão da paz, para a qual o pontífice invocou a Deus para que lhe conceda "uma transbordante efusão de misericórdia, que possa tocar os corações, aplacar os rancores e os ódios fratricidas e iluminar aqueles com responsabilidades especiais de governo".

Esta última referência surge após as inflamadas polêmicas entre a Casa Branca e a Santa , precisamente sobre a questão da guerra no Irã. Trump reiterou repetidamente que o pontífice não se preocupa que Teerã possa ter armas nucleares; o Bispo de Roma respondeu que a Igreja há muito se opõe à proliferação nuclear, não importa onde ela ocorra.

Uma forma de reiterar que, apesar das agressões, a posição do Vaticano não vai mudar uma vírgula. Nesse clima, ocorreu o encontro entre Leão e o Secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, em 7 de maio. O objetivo do encontro, por parte dos EUA, era levar de volta o conflito entre a Igreja e o governo republicano para um tom mais diplomático e, ao menos, menos explícito.

De qualquer forma, é preciso dizer que as intervenções ameaçadoras do presidente estadunidense, feitas pouco antes da visita de Rubio ao Vaticano, em nada contribuíram para uma postura mais "prudente" por parte da Santa Sé. O Papa, aliás, durante a visita a Pompeia na manhã de sexta-feira, falou explicitamente de uma paz "ameaçada por tensões internacionais e por uma economia que prefere o comércio de armas ao respeito pela vida humana".

Prevost acrescentou também: "As guerras que ainda são travadas em muitas regiões do mundo exigem um renovado empenho, não apenas econômico e político, mas também espiritual e religioso. A paz nasce dentro do coração".

Também João Paulo II, lembrou o Papa, "em outubro de 1986, reuniu os líderes das principais religiões em Assis, convidando a todos a rezar pela paz. Em diversas ocasiões, inclusive recentes, tanto o Papa Francisco quanto eu pedimos aos fiéis de todo o mundo que rezem por essa intenção. Não podemos nos resignar às imagens de morte. que os noticiários nos apresentam todos os dias. Deste Santuário, cuja fachada São Bartolo Longo concebeu como um monumento à paz, elevamos hoje nossa Súplica com fé."

A questão da rejeição clara e inequívoca dos conflitos permanece, portanto, central no magistério de Leão XIV, como tem sido desde o primeiro dia de seu pontificado.

A geografia da desigualdade

Ao lado disso, ao longo do dia, esteve presente o tema de Nápoles, uma cidade das mil faces e tantos sofrimentos que precisa de esperança e empenhos concretos da Igreja e de suas instituições.

Em muitas zonas da cidade, disse Leão XIV ao encontrar-se com a população na Piazza del Plebiscito, "vê-se uma verdadeira geografia da desigualdade e da pobreza, alimentada por problemas há muito não resolvidos: desigualdade de renda, poucas perspectivas de emprego, carência de infraestruturas adequadas e serviços, ação generalizada do crime, drama do desemprego, evasão escolar e outras situações que pesam sobre a vida de muitas pessoas. Diante dessas realidades, que por vezes assumem proporções preocupantes, a presença e a ação do Estado são mais necessárias do que nunca para garantir a segurança e a confiança dos cidadãos e tirar espaço à criminalidade organizada”.

Leão observou também: "Gostaria também de recordar o caminho que esta cidade empreendeu para redescobrir sua milenar vocação: ser uma ponte natural entre as margens do Mediterrâneo. Nápoles não deve continuar sendo um simples 'cartão-postal' para os visitantes, mas deve se tornar um canteiro de obras a céu aberto, onde se constrói uma paz concreta, verificável no cotidiano das pessoas."

A paz, de fato, enfatizou Prevost, "começa no coração do homem, passa pelas relações, cria raízes nos bairros e nas periferias e se expande para abraçar toda a cidade e o mundo. É por isso que sentimos urgência em trabalhar primeiro dentro da própria

cidade. Aqui, a paz se constrói promovendo uma cultura alternativa à violência, por meio de gestos cotidianos, programas educacionais e escolhas práticas de justiça. Sabemos, de fato, que não existe paz sem justiça e que a justiça, para ser autêntica, nunca pode ser separada da caridade”.

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