06 Mai 2026
Gaza é uma imensa extensão de escombros, humanos e materiais. Eles se misturam em uma combinação aterradora e mortífera desde que Israel e o Hamas encerraram a guerra que começou em 7 de outubro de 2023. Pilhas e montanhas de terra, detritos e lixo escondem objetos, restos de comida malcheirosa, animais mortos, dispositivos explosivos, mas acima de tudo, corpos. Em 26 de abril, mais de seis meses após o acordo de cessar-fogo, mais de 8.000 pessoas ainda estariam sob os escombros, de acordo com uma reportagem do jornal "Haaretz", que cita fontes da defesa civil da Faixa. Corpos que, nesse estado, continuam a se decompor, emitindo miasmas irrespiráveis e se tornando vetores de doenças e novas mortes.
A reportagem é de Roberto Paglialonga, publicada por L'Osservatore Romano, 05-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
De acordo com algumas estimativas, no enclave foram removidos apenas 0,5% dos escombros, o que significa que o processo poderia levar mais de sete anos para ser concluído. Milhares de pessoas aguardam para poder dar um enterro digno para seus entes queridos mortos pelos bombardeios aéreos.
As equipes de resgate continuam recebendo ligações de famílias que sabem exatamente onde seus familiares estão, mas não possuem o equipamento necessário para chegar até eles. Em algumas áreas, como os bairros de Shujaiyeh e Tuffah, na Cidade de Gaza, as tentativas de resgate foram completamente interrompidas devido à extensão da destruição ou ao risco de novos ataques. De fato, os socorristas, como Ayham Shurab, de 31 anos, que perdeu 12 familiares em Khan Yunis, relata o jornal israelense, tornam-se alvos quando entram em um prédio para recuperar os corpos ali soterrados.
Uma avaliação conjunta das Nações Unidas, Banco Mundial e União Europeia, divulgada em 20 de abril, estima que 68 milhões de toneladas de entulho ainda precisam ser removidas, um processo complicado pela presença de dispositivos não detonados. Segundo o relatório, a operação de limpeza deverá custar mais de 1,7 bilhão de dólares. No ano passado, de acordo com o Serviço das Nações Unidas para Acidentes com Minas (UNMAS), responsável pela remoção de minas nos Territórios Ocupados desde 2012, registrou pelo menos 130 incidentes causados por "detonações acidentais", resultando em 52 mortes e mais de 260 feridos confirmados.
Soma-se a isso o crescente número de ratos e outros roedores, confirmado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em 81% dos locais monitorados, que atacam diretamente também os seres humanos.
São aterrorizantes os relatos de adultos e crianças que relatam ter sido mordidos enquanto dormiam. Viralizou uma foto de um recém-nascido deslocado em um campo de refugiados na Cidade de Gaza, mordido por um rato dentro de uma tenda. Não é surpresa, dada a situação descrita como "colapso" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a explosão de infecções: desde o início de 2026, estima-se que aproximadamente 17.000 casos seriam causados por piolhos, pulgas, carrapatos e diversos parasitas.
O número de pessoas afetadas por deficiência devido ao conflito também aumentou significativamente, segundo informações de autoridades na Faixa. Em setembro de 2025, estimava-se que pelo menos 41.844 pessoas viviam com lesões permanentes decorrentes das hostilidades, das quais aproximadamente 25% eram crianças. Os dados mais conservadores disponíveis sobre o número de amputações atestam entre 5.000 e 6.500 casos. No ano passado, foram relatados 322 casos de malformações congênitas, o dobro em relação ao período pré-guerra.
Trata-se de uma crise humanitária e de saúde sem precedentes, com mais da metade dos hospitais destruídos ou gravemente danificados e quase 90% das instalações de água fora de serviço. A escassez de recursos para enfrentar as mudanças repentinas de estação, o frio intenso do inverno, as chuvas torrenciais, a lama e agora o incipiente calor do verão completam um quadro desolador e dramático.
O fim do uso das armas — explicou em diversas ocasiões o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém — não implica o fim do conflito. Especialmente porque pessoas continuam a morrer no campo: esta manhã, uma pessoa foi morta num ataque na área de Al-Ayoun, enquanto ontem, duas pessoas foram mortas em Khan Yunis e Cidade de Gaza, uma delas um jovem de quinze anos. Mas hoje, acima de tudo, o "conflito" é pela pura sobrevivência diária: e a Faixa vive uma longa agonia, que arrasta quase dois milhões de pessoas, sem fim à vista e que foi esquecida pelos meios de comunicação.
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