"A fé pascal nos move da fuga (Emaús) para a comunidade (Jerusalém). A Cruz não é o fim, mas a passagem, e só conseguimos entender quando olhamos para a história que nos antecedeu com ajuda da Palavra e projetamos o trilhar para frente este caminho!"
A reflexão é de Dalva Maria de Almeida, pedagoga e psicopedagoga com ênfase em Alfabetização e Letramento nas séries iniciais de alfabetização; Teóloga atuando no campo da Antropologia Teológica, Teologia Pastoral, com formação pela PUC São Paulo. Atua na Diocese de Osasco/SP a serviço da formação diocesana de leigos e leigas e no Serviço Diocesano de Animação Bíblica da Pastoral (ABP).
1ª. Leitura: Atos 2,14.22-33
Salmo responsorial: Sl 15 (16)
2ª. Leitura: 1Pedro 1,17-21
Evangelho: Lucas 24,13-35
A reflexão da palavra deste 3º Domingo Pascal, que traz como ponto central o encontro, a transição da decepção para esperança, baseada no famoso episódio daqueles caminhantes conhecidos como Discípulos de Emaús!
Como discípulas e discípulos do Senhor não podemos ficar indiferentes e à margem desta grande notícia dada pelo próprio ressuscitado àqueles que ainda andam na obscuridade e com dificuldade de abrir os corações e movimentar os pés em relação aos que necessitam ouvir esta maravilhosa e eterna notícia: “Ele Ressuscitou, vive em nosso meio e nos garantiu a vida eterna, aliviando nossas dores e nos dando uma roupagem nova de Ressuscitados!”
Na Liturgia da Palavra deste domingo somos convidados e animados a caminhar iluminados pela Ressurreição do Senhor.
Na postura de Pedro na primeira Leitura (Atos 2,14.22-33), ouvimos o anúncio fundamental da fé cristã: A Ressurreição de Jesus é o centro da fé cristã, e aquele que foi rejeitado pelas autoridades é o verdadeiro redentor da humanidade.
O Salmo responsorial (Sl 15) vem confirmar que Deus nos apresenta o verdadeiro caminho para a vida em Jesus seu Filho, agora Ressuscitado.
Na segunda leitura (1Pedro 1,17-21) é recordado na Primeira Carta de Pedro o caminho traçado para chegarmos até a Ressurreição de Jesus com fé e esperanças vivas.
Chegamos no centro da Liturgia da Palavra que está na Palavra de Jesus, Palavra da Salvação (Lucas 24,13-35). Com ênfase neste domingo destacamos o caminho trilhado pelos discípulos de Emaús, que olham para a cruz e a morte de Jesus como um fracasso daquele homem que nem conhecem direito, e lhes aparece no caminho como um forasteiro, alguém que não sabe dos últimos acontecimentos ali em Jerusalém.
1. O Caminho da Decepção: Os discípulos caminhavam para Emaús, um se chama Cleofas e outro não sabemos o nome, caminham com o semblante triste e desanimados, esperavam um libertador político e encontraram a cruz, símbolo da maldição e da derrota, carga para os malfeitores.
Muitas vezes nós também caminhamos assim, focados no que “deveria ter sido” e cegos para a presença de Deus ao nosso lado nas crises, acreditando nas nossas expectativas humanas. Nossa cegueira espiritual nasce da tristeza e de querermos que Deus aja do nosso jeito.
2. A Pedagogia de Jesus: Jesus discretamente se aproxima como um estranho, caminha com eles, não chega dando lições de moral, mas fazendo perguntas: “Sobre o que vocês conversam?”. Ouve suas dores.
Ele nos ensina que, para entender a vontade de Deus, precisamos primeiro colocar nossas dores para fora, nossas inquietações, nossas incertezas. Ele usa as Escrituras para aquecer o coração deles e os nossos, mostrando que o sofrimento não foi um erro, mas parte do plano da salvação que ainda não conseguimos enxergar. Quer dar novo sentido aos nossos sofrimentos.
3. O Gesto que revela: O ápice deste encontro não é o sermão, mas a mesa. Ao partir o pão, os olhos se abrem. Um gesto de comunhão e hospitalidade.
É na Eucaristia e na partilha, lugares privilegiados para encontrar o Ressuscitado, Ele se torna visível. Jesus está viúvo! Ele desaparece da vista deles e da nossa porque agora Ele habita dentro deles e de nós.
4. A Missão: Quem encontra o Ressuscitado não consegue ficar parado. Voltam para Jerusalém neste mesmo instante, é uma urgência o anúncio da Ressurreição, o Senhor precisa alcançar seus discípulos e transformar suas mentes e corações.
A fé pascal nos move da fuga (Emaús) para a comunidade (Jerusalém). A Cruz não é o fim, mas a passagem, e só conseguimos entender quando olhamos para a história que nos antecedeu com ajuda da Palavra e projetamos o trilhar para frente este caminho!
Não se pode guardar a alegria da Ressurreição só pra si, ela precisa ser comunicada!
Concluindo
A passagem dos discípulos de Emaús do evangelho deste domingo, em Lucas 24,13-35 é uma das mais profundas reflexões sobre a caminhada de fé, a superação do luto e o reconhecimento de Deus no cotidiano.
Três pontos se tornem fortes e precisam estar na vida da comunidade ressuscitada: a Escuta – Jesus ouvir os discípulos antes de falar; a Acolhida – Eles convidaram o estranho para entrar (Fica conosco, Senhor!) e a Transformação – A caminhada transformou o luto em esperança e a dúvida em fé.
Rezemos com os discípulos de Emaús: Lucas 24,29: “Fica conosco, Senhor, porque é tarde e o dia declina!”
Boa reflexão a todos vós! Feliz e Santa Páscoa!
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