16 Abril 2026
"O amor cristão move à denúncia, à proposta e ao compromisso de elaboração de projetos em campo cultural e social, a uma operosidade concreta e ativa, que impulsione a todos os que tomam sinceramente a peito a sorte do homem a oferecer o próprio contributo", escreve Fabrizio Mastrofini, jornalista e ensaísta italiano, em artigo publicado por l'Unità, 15-04-2026, citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja de João Paulo II. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, católico desde 2019, aos 35 anos, está prestes a publicar um livro sobre a história de sua conversão. Enquanto isso, falando no canal amigo Fox, disse: "Certamente acredito que, em alguns casos, seria preferível que o Vaticano se ativesse às questões morais e deixasse o presidente dos Estados Unidos cuidar de definir as políticas públicas estadunidenses."
Afirmação que revela uma profunda ignorância, a ponto que se deveria perguntar aos frades da Ordem Dominicana de Cincinnati, que o prepararam para sua conversão, o que raios ensinaram a ele. Não é, de fato, possível separar questões morais de questões políticas e sociais. Isso está claramente declarado na Doutrina Social da Igreja, que começou com o Papa Leão XIII — vejam a coincidência! — em 1891, com a encíclica "Rerum Novarum", que abordou as questões do trabalho na época da Revolução Industrial, do marxismo e do socialismo.
Segundo Vance, a Igreja deveria ter ficado em silêncio mesmo naquela época? E o ensinamento da Igreja deveria, portanto, ser relegado à esfera da fé, dos anjos e da moral pessoal, sem projeção pública? Mas esse é o cristianismo na versão protestante "evangélica" que domina nos EUA. E que nada tem a ver com as igrejas protestantes históricas europeias, muito menos com o catolicismo. Para a versão "evangélica", fé e compromisso social são separados entre si. Aliás, sua "teologia da prosperidade" atua em prol da aceitação do status quo. No Reino dos Céus, você terá a felicidade e o pleno bem-estar; aqui, se você é pobre, permanecerá assim porque é a vontade de Deus. Quando se fala de Doutrina Social e de justiça, os padres católicos de todas as ordens e graus são automaticamente rotulados de "comunistas".
O Papa Francisco era um deles porque falava demais sobre os direitos dos pobres e das injustiças. Antes dele, a teologia da libertação é que era, e, de fato, dezenas de padres e líderes políticos na América Latina — o famoso "quintal" dos EUA — foram assassinados simplesmente por terem se expressado em favor dos direitos das classes mais pobres. Em 2004, durante o pontificado de João Paulo II, certamente não um papa "comunista", foi publicado o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja". No início, no parágrafo 6, explicando o sentido de todo o trabalho realizado, observava-se que "o amor cristão move à denúncia, à proposta e ao compromisso de elaboração de projetos em campo cultural e social, a uma operosidade concreta e ativa, que impulsione a todos os que tomam sinceramente a peito a sorte do homem a oferecer o próprio contributo. A humanidade compreende cada vez mais claramente estar ligada por um único destino que requer uma comum assunção de responsabilidades, inspirada em um humanismo integral e solidário: vê que essa unidade de destino é frequentemente condicionada e até mesmo imposta pela técnica ou pela economia e adverte a necessidade de uma maior consciência moral, que oriente o caminho comum. Estupefatos pelas multíplices inovações tecnológicas, os homens do nosso tempo desejam ardentemente que o progresso seja votado ao verdadeiro bem da humanidade de hoje e de amanhã."
E ainda assim, há quem queira que o Papa cuide de sua vida!
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