14 Abril 2026
O cardeal Jean-Claude Hollerich causou recentemente polêmica com suas declarações sobre a ordenação de mulheres. Em entrevista, ele contextualizou sua afirmação e pediu que confiássemos em Deus.
A informação é publicada por katolisch.de, 11-04-2026.
O cardeal luxemburguês vê a questão da ordenação de mulheres como potencialmente capaz de dividir a Igreja Católica. "A ordenação de mulheres ao diaconato dividiria a Igreja hoje", disse Hollerich em entrevista à Vatican News (sexta-feira). O cardeal traçou um paralelo com a Igreja Anglicana, onde a eleição de Sarah Mullally como Arcebispa de Canterbury levou várias igrejas a deixarem a comunhão com a Igreja Anglicana. "E isso também aconteceria na Igreja Católica. O acesso à ordenação só pode ocorrer por meio de um consenso de toda a Igreja."
A conversa foi motivada por declarações feitas pelo cardeal em um simpósio na Universidade de Bonn, em março. Lá, Hollerich declarou: "Não consigo imaginar como uma Igreja pode perdurar a longo prazo se metade do povo de Deus sofre por não ter acesso ao ministério ordenado". Na entrevista, o religioso explicou que muitas mulheres haviam manifestado o desejo de serem admitidas ao diaconato no Sínodo. Hollerich, no entanto, enfatizou a duração desse processo.
"Gostaria de deixar isso nas mãos do Espírito Santo."
Quando questionado sobre qual prazo considerava aceitável para o progresso na questão feminina dentro da Igreja universal, Hollerich disse: "Gostaria de deixar isso nas mãos do Espírito Santo". No Sínodo, onde atuou como Relator Geral, ele sentiu a ação do Espírito. "E tenho fé de que, se Deus quiser, o Espírito Santo também tocará os corações em outras culturas. Para isso, creio, precisamos de uma boa dose de fé em Deus."
Ele disse compreender a decepção de muitas mulheres católicas com a estagnação da Igreja na questão das diáconas. Queria fazer todo o possível "para garantir que as mulheres tenham maior aceitação em posições de liderança dentro da Igreja", explicou o cardeal. "Acredito que agora é crucial fazer tudo o que pudermos pelas mulheres – fora do ministério ordenado." Acrescentou que lhe parecia "natural" que as mulheres ocupassem posições onde pudessem participar das "decisões importantes" da Igreja.
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