11 Abril 2026
Na semana passada, durante a missa da Quinta-feira Santa em Bogotá, Colômbia, o cardeal-arcebispo realizou uma ação notável: como parte da Missa da Ceia do Senhor, lavou os pés de profissionais do sexo, incluindo várias mulheres transgênero.
A informação é de Francis DeBernardo, publicada por New Ways Ministry, 10-04-2026.
Este é o segundo ano consecutivo em que o Cardeal Luis José Rueda Aparicio realiza o ritual tradicional que imita a liderança servidora de Jesus na Última Ceia. Quando o ritual foi adicionado à liturgia da Quinta-feira Santa após o Concílio Vaticano II, inicialmente apenas homens eram escolhidos para o lava-pés, mas com o passar do tempo, as mulheres foram incluídas nesta ação simbólica em muitos lugares. O Papa Francisco havia ampliado a categoria de participantes, lavando os pés de prisioneiros e pessoas em situação de rua. (No entanto, este ano, o Papa Leão XIV rompeu com o exemplo de Francisco, lavando os pés apenas de 12 sacerdotes.)
Segundo o them.us, o cardeal, nomeado por Francisco, foi ao bairro de Santa Fé, na capital, uma “zona de tolerância” para o trabalho sexual supervisionada pela polícia, para realizar o ritual. A notícia também informou que o cardeal aproveitou a ocasião para se manifestar contra a discriminação, dizendo:
“O que as sociedades fazem através da discriminação é fragmentação. Elas criam uma espécie de sistema de castas que já foi abolido há muito tempo e não tem lugar na sociedade. Todos somos aceitos na Casa do Senhor.”
Aparicio iniciou a tradição no ano passado para homenagear Sara Millerey, uma mulher trans que havia sido assassinada recentemente. Na época, a mulher trans Alexandra Ramírez disse: “Achei o evento verdadeiramente espetacular porque, acima de tudo, serviu como uma oportunidade para nós, mulheres, nos tornarmos conhecidas na sociedade e ajudar as pessoas a entenderem que, simplesmente por sermos mulheres trans, não somos diferentes de ninguém.”
Este ano, Valentina Rojas, uma das mulheres trans cujos pés foram lavados pelo cardeal, comentou que a experiência a fez sentir-se "feliz [e] amada", acrescentando: "Foi realmente algo belo" e que a fez sentir que a Igreja Católica a acolheu, sinalizando que "Não importa se você é transgênero".
Na New Ways Ministry, sempre defendemos que bispos e líderes da Igreja se encontrem e dialoguem com pessoas LGBTQ+. A ausência desse diálogo tornou-se dolorosamente evidente quando o Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano publicou a Dignitas Infinita em 2024, que lista a transição de gênero como uma grave violação da dignidade humana, e em 2025, quando a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA atualizou suas Diretrizes Éticas e Religiosas para hospitais católicos, nas quais desaconselham a oferta de cuidados de afirmação de gênero por esses hospitais. O exemplo do Cardeal Rueda sobre o lava-pés oferece um exemplo diametralmente oposto de como os líderes da Igreja podem e devem se relacionar com pessoas LGBTQ+.
Quão diferente seria a Igreja Católica se nossos pastores, bispos, cardeais e o papa lavassem regularmente os pés de pessoas LGBTQ+? Muito.
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