Acampamento Terra Livre chega à 22ª edição ampliando luta por Direitos Indígenas

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil | FotosPúblicas

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06 Abril 2026

ATL 2026 discutirá marco temporal, demarcação, exploração de petróleo, gás e minerais em Territórios Indígenas e eleições, entre outros temas.

A reportagem é publicada por Climainfo, 05-04-2026.

Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós.” Este é o lema da edição de 2026 do Acampamento Terra Livre (ATL), que acontece até sábado (11/4), em Brasília. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o ATL chega à sua 22ª edição tendo como principais temas o marco temporal, a demarcação de terras e a exploração de petróleo, gás fóssil e minerais em Territórios Indígenas. Também entram na pauta a crise climática, a democracia e as eleições, detalha a Agência Brasil.

“Estamos abordando a discussão geopolítica na disputa, principalmente por metais raros, o que está colocando as Terras Indígenas com um grande potencial exploratório; a flexibilização da legislação brasileira de licenciamento ambiental e a continuidade da lei do marco temporal [tese já declarada inconstitucional pelo STF]”, explica o coordenador-executivo da APIB, Dinaman Tuxá. Este é o momento em que nos juntamos, e aí fica mais evidente essa unidade dos Povos Indígenas, que lutam contra toda e qualquer ameaça que venha a ocasionar impacto nos nossos territórios.”

A APIB ainda destaca que, justamente na semana em que acontece o ATL, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomará o julgamento sobre a Ferrogrão. O projeto ferroviário, de quase 1.000 km, pretende escoar soja e outros grãos do Centro-Oeste para o Norte e impactará a Floresta Amazônica e diversas Terras Indígenas. Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu manter o processo de concessão da Ferrogrão suspenso, ressaltando as inconsistências financeiras, riscos socioambientais, ausência de consulta e falta de maturidade decisória do projeto.

“O Supremo tem diante de si uma decisão que ultrapassa o destino de uma ferrovia. O que está em julgamento é a validade de um modelo que transforma florestas, rios e territórios vivos em corredores de exportação, enquanto empurra para os Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais o custo político, social e ambiental desse projeto. Nosso futuro não está à venda. A resposta somos nós”, reforça a entidade.

Além disso, o movimento indígena chega à capital federal com uma cobrança direta ao governo federal, destaca o Brasil de Fato. Segundo levantamento da APIB, 110 Terras Indígenas já passaram por etapas decisivas do processo administrativo e estão prontas para avançar na demarcação.

Vale lembrar que o ano de 2026 começou com grandes reivindicações indígenas, ressalta o Tapajós de Fato. Povos do Baixo Tapajós, em Santarém (PA), ocuparam a sede da empresa estadunidense Cargill por mais de um mês e conseguiram a revogação do Decreto nº 12.600, que previa a privatização de rios amazônicos. Mas a perseguição aos Direitos Indígenas continua no Legislativo, capitaneada principalmente pela bancada ruralista na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

“O Congresso inimigo do povo tenta de todos os modos alterar as leis da Constituição. Tentam derrubar tudo que os separa dos alvos da sua ganância voraz, ignoram que sempre fomos os guardiões desse território, muito antes dele se chamar Brasil. As cercas da colonização, as cercas da exploração do capital, são as cercas da fome e da miséria. Mas nós seguimos firmes e não aceitamos mais nenhuma invasão. Não aceitamos obras sem consentimento. Não aceitamos que tomem nossa cultura para enriquecer uma minoria. Exigimos a demarcação de nossas terras. Vamos ocupar a política e vencer o Congresso inimigo do povo. Nossos corpos estão prontos para qualquer ameaça. Onde a voz indígena ressoar, lembrarão que nosso futuro não está à venda! A RESPOSTA SOMOS NÓS!”, reforça Txai Suruí na Folha.

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