06 Abril 2026
A obrigação, prevista na nova lei do serviço militar para ausências com duração superior a três meses, diz respeito a todos os homens entre os 17 e os 45 anos de idade.
A reportagem é de Tonia Mastrobuoni, publicada por La Repubblica, 05-04-2026.
Estes são os primeiros efeitos do serviço militar semiobrigatório introduzido pela Alemanha em 1º de janeiro. E já estão gerando controvérsia. A partir de agora, todos os homens entre 17 e 45 anos terão que solicitar autorização da Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) antes de deixar o país por mais de três meses. A disposição oculta na nova lei, que teoricamente também exige a solicitação de autorização do exército caso a estada no exterior seja prolongada, foi descoberta ontem pelo jornal Frankfurter Rundschau e provocou um grande debate nas redes sociais. No Reddit, um usuário brincou: "Então, se eu quisesse emigrar, teria que apresentar um 'pedido de saída permanente'?"
Uma porta-voz do Ministério da Defesa confirmou a notícia, explicando: "Precisamos saber quem está detido no exterior". Mas ela também anunciou alterações no parágrafo pertinente, dando a entender que as autorizações serão concedidas quase automaticamente: "Como o serviço militar atual é inteiramente voluntário, as permissões terão que ser concedidas", enfatizou.
Na realidade, o novo serviço militar obrigatório na Alemanha não é totalmente voluntário: em certas circunstâncias, candidatos elegíveis podem ser recrutados compulsoriamente. Por exemplo, se uma guerra ou situação de emergência assim o exigir, ou se não houver soldados suficientes para atingir as metas do governo (255 mil a 270 mil homens até 2035, em comparação com os atuais 182 mil). No entanto, nesse caso, o governo ainda teria que submeter a proposta ao Parlamento. Ontem, o porta-voz esclareceu que "especificaremos por meio de regulamentos administrativos que a autorização será considerada concedida até que o serviço militar obrigatório se torne obrigatório".
A regra em questão não é totalmente nova. Os parágrafos 2 e 3 da "Wehrpflichtgesetz" já exigiam que homens em idade de serviço militar apresentassem um pedido para viajar ao exterior por períodos prolongados, mas apenas em casos de situações de "tensão ou defesa", ou seja, uma ameaça militar à Alemanha. Agora, o parágrafo 2 foi reescrito e declara: "Além dos casos de tensão ou defesa, aplica-se o parágrafo 3", ou seja, o pedido obrigatório. Em resumo, a obrigação de comunicação agora se aplica em todos os momentos.
A notícia corre o risco de alimentar a impopularidade de um governo e de uma chanceler cujos índices de aprovação estão agora em níveis baixíssimos. Uma pesquisa da Deutschlandtrend, realizada em 1º de abril, revelou que 84% dos alemães estão insatisfeitos com o governo de Friedrich Merz. E apenas 21% afirmam ainda confiar na chanceler. Essa tendência também se reflete nas pesquisas partidárias: a CDU/CSU aparece com 26%, seguida de perto pela extrema-direita da AfD, com 25%. O SPD está com 12%, enquanto os Verdes têm 14%. O Partido da Esquerda, partido de esquerda que surpreendentemente obteve 9% dos votos na última eleição, quando todos o davam como carta fora do baralho após a deserção de Sahra Wagenknecht, continua popular. As pesquisas estimam sua popularidade em 10%.
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