28 Março 2026
Os protestos organizados pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu contra o projeto de mineração de ouro da Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu (PA) completam um mês. Desde 23 de fevereiro, indígenas de diversas etnias acampam na sede da FUNAI em Altamira. Os manifestantes também já fecharam estradas e o aeroporto da cidade. E na 4ª feira (25/3), marcharam em direção à Câmara Municipal de Altamira.
A informação é publicado por ClimaInfo, 27-03-2026.
Sob o mote “Vidas valem mais que ouro”, os indígenas solicitaram uma reunião com os parlamentares para obter um posicionamento sobre a causa. Houve início de tumulto quando os seguranças da Câmara tentaram impedir a entrada dos manifestantes. Alguns vereadores também tentaram retirar-se quando os indígenas pediram o uso da fala na plenária.
“Quando é para ir pedir voto, os vereadores usam os indígenas como palanque. Eles vão lá atrás da gente. Mas agora, o município simplesmente virou as costas aos indígenas. Isso é revoltante”, afirmou Sol Juruna à Folha.
Em janeiro, a Justiça Federal em Altamira decidiu manter suspensa a licença de instalação do projeto. A Belo Sun correu a Brasília e conseguiu restabelecer a licença no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A decisão do TRF1 foi proferida em 13 de fevereiro.
O presidente da mineradora, Adriano Espeschit, disse que a Belo Sun realizou consulta livre, prévia e informada (CLPI), conforme determina a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), com as etnias Juruna e Arara, situadas no raio de 10 km do projeto. O Ministério Público Federal (MPF), porém, contesta a empresa.
O MPF afirma que a consulta foi conduzida por uma empresa privada, mas o procedimento é de prerrogativa estatal e não pode ser delegado a empresas privadas. Em 19 de fevereiro, o órgão pediu a suspensão da licença do projeto, alegando que a Belo Sun não cumpriu integralmente as condicionantes judiciais relativas à proteção das comunidades impactadas.
Em outra frente, a FUNAI encaminhou um ofício à empresa, à Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas) e ao IBAMA, determinando a elaboração de uma avaliação complementar que considere os efeitos cumulativos da mineração em conjunto com a hidrelétrica de Belo Monte e outros empreendimentos presentes ou previstos na região, destaca a REPAM. Segundo a FUNAI, os estudos anteriores apresentam limitações metodológicas e não são suficientes para mensurar os efeitos combinados das atividades sobre os povos da região, o que torna necessária uma Avaliação de Impactos Cumulativos (AIC).
O Globo detalha que a nova avaliação deve focar nas Terras Indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu, Trincheira-Bacajá e Ituna-Itatá, além da Reserva Indígena Jericoá e de outras comunidades com presença indígena na região. Os resultados do estudo subsidiarão a manifestação conclusiva da FUNAI quanto à viabilidade da mina de ouro.
O pedido da FUNAI resgata o alerta feito pela Norte Energia, responsável pela usina Belo Monte, em 2013 e em 2022. A concessionária chamou a atenção para a possibilidade de incompatibilidade entre os dois empreendimentos, diante dos riscos socioambientais acumulados no território.
Tapajós de Fato, Esquerda Diário e CSP Conlutas também falaram sobre as manifestações indígenas contra o empreendimento da Belo Sun.
Em tempo 1: O senador Plínio Valério (PSDB-AM) ingressou com uma ação popular na Justiça Federal para anular o ato da FUNAI que aprovou os estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena Aracá-Padauiri, no Amazonas, informa a Revista Cenarium. Na petição, Valério alega que "o ato administrativo é unilateral e insensível às realidades locais”. O senador é famoso por sua trajetória política, focada no ataque à agenda ambiental. Em 1983, buscou obter licenças de pesquisa para explorar ouro em áreas sensíveis do estado. No ano passado, Valério atacou de forma misógina a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em sessão no Senado, além de dizer que gostaria de enforcá-la em outro episódio.
Em tempo 2: A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou embargos de declaração ao acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o marco temporal para demarcação de Terras Indígenas (TIs). O pedido foi feito pelo Ministério da Justiça, dos Povos Indígenas e pela FUNAI, órgãos responsáveis pela demarcação, informa o Correio Braziliense. O embargo visa esclarecer dúvidas e possíveis contradições sobre os deveres do Poder Executivo e direitos de indígenas e não indígenas, além de prazos e procedimentos.
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