27 Março 2026
Centenas de jovens, convocados pela Coordenação das Assembleias de Estudantes do Ensino Médio (ACES) e pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), foram às ruas de Santiago nesta quinta-feira para protestar contra o governo de José Antonio Kast, que ordenou um corte de 3% no orçamento do Ministério da Educação e está considerando limitar o ensino superior gratuito a pessoas com menos de 30 anos.
A reportagem é publicada por Página12, 27-03-2026.
O protesto, que começou no antigo Congresso Nacional e seguiu em direção à Alameda, onde um número maior de estudantes se juntou, foi reprimido pelos Carabineiros, que lançaram gás lacrimogêneo e acionaram seus caminhões com canhões de água, enquanto um grupo de manifestantes atirava pedras contra os policiais.
Nesta quinta-feira, o governo chileno, prevendo protestos não apenas contra os cortes na educação, mas também contra a implementação de um aumento histórico no preço dos combustíveis anunciado na terça-feira passada, ordenou o isolamento do centro de Santiago com cercas, o fechamento de estações de metrô, desvios de trânsito e um grande contingente policial.
Embora tanto o presidente José Antonio Kast quanto o delegado presidencial da capital tenham defendido o direito à manifestação pacífica, a verdade é que a operação impediu o acesso ao centro de Santiago do Chile, onde apenas um pequeno grupo de estudantes conseguiu chegar à sede do antigo Congresso, local de onde o protesto havia sido convocado.
Da mesma forma, o acesso da imprensa, principalmente estrangeira, ao centro de Santiago foi dificultado, com o fechamento das estações de metrô.
“Não vamos prejudicar ainda mais a nação”, disse Kast durante a apresentação, no Palácio de La Moneda, fortemente protegido, do decreto aprovado pelo Congresso para atenuar o controverso aumento do preço dos combustíveis.
“Se alguém quiser expressar seu descontentamento, não deve usar o transporte público, especialmente o metrô, para se manifestar. Pode fazê-lo em qualquer lugar público, mas sem prejudicar outros cidadãos que dependem desse transporte”, acrescentou, lembrando o que aconteceu em 2019, quando um aumento na tarifa do metrô desencadeou a maior onda de protestos no Chile desde o fim da ditadura. Nesse contexto, assegurou que o Estado responderá “com todo o rigor da lei” contra aqueles que incitarem a violência.
O líder ultraconservador defendeu novamente, na quinta-feira, sua decisão de não endividar os cofres do Estado e de repassar o custo da guerra no Oriente Médio para a população, com um aumento histórico nos preços dos combustíveis, em meio aos primeiros protestos contra ele.
“Dizer a verdade nos traz muita paz de espírito. Uma alternativa, como foi proposta, seria endividar ainda mais a nação. Isso acaba nos custando mais caro”, argumentou Kast em uma cerimônia onde apresentou o primeiro pacote de medidas de auxílio aprovado pelo Congresso.
O pacote inclui o congelamento das tarifas do transporte público e escolar em Santiago, que já haviam sido reajustadas há um mês, auxílio para taxistas e algumas empresas de transporte, e redução no preço do querosene para o inverno. Essas medidas já foram criticadas como "insuficientes", pois deixam de fora o gás, que é a energia mais utilizada pelos chilenos de todas as classes sociais, e não servem para conter os aumentos de preços que já começaram a ser sentidos em toda a cadeia logística em um país sem trens e com pouca eletricidade.
Nesse sentido, diversos sindicatos de transporte já alertaram que os preços "indubitavelmente aumentarão" e anunciaram protestos e bloqueios de estradas a partir desta sexta-feira em todo o país.
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